as circunstâncias consomem-me os dias
devorando-me aos sonhos o sentido original
percorro o ilusório caminho das poesias
faço-me um deus para lá do bem e do mal
e as horas que aborto de um prazer desmedido
metamorfoseando o tempo num embaraço
barricam-me entre o que encontrei e o que tenho perdido
nas violentas noites em que de solidão me abraço
vejo nos corpos com quem permutei ilusões
contabilizadas as almas que logrei enganar
assaltam-me inquietudes em feéricas explosões
deslumbrado, vejo a destruição em mim de tanto amar
cinzentas; as ruas da minha cidade
pejadas de tantas gentes que a fazem deserta
matizam-se entre a indiferença e a saudade
e é para o pesadelo que o meu sonho desperta
nos passos apressados de quem de si se esquece
um burburinho de gente amansada é o que ouço
predador… sempre à espreita do que acontece
um ultimo e desesperado assalto àquele olhar não ouso
deixo-o estar no limbo para o qual remeto o divino
nesse paraíso feito da substância do sonhos
entre a glória grávida no gesto mais pequenino
e o violento rugir de batalha dos deuses medonhos
amantíssimo da força desmedida
o mais das vezes fornicando-a num leito de espanto
a surpresa com que me encontro no lado frágil da vida
amordaça-me em melodias de um triste encanto
sonho… sonho… sonho…
habito o vazio do que de nada se substância
altar de engano onde o meu holocausto ponho
em adoração a um demónio, que inocente; de nada sabia
leal maria
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
domingo, 28 de dezembro de 2008
meu país... desenhador do mundo
sob uma fria e impessoal lápide
a alma do meu país vai ali jazendo
inspirado por magnifica Tágide (1)
sobre ela estes versos vou escrevendo
veio desse Tejo espelho d´águas
trazer-me à memória o murmurar das caravelas
onde a força da vontade vencia as mágoas
e Portugal conquistava o horizonte guiado pelas estrelas
hoje… prestamos a bárbaras línguas vassalagens
deixamo-nos seduzir pela mediocridade
fazemos da porcaria d´outros fartas pastagens
e esquecemos o quanto de nós era curiosidade
mas um fado se ouve lá ao longe
na voz sussurrante da pátria já esquecida
como uma reza de um devoto monge
que teima em pedir a deus que lázaro regresse à vida
traz a lusitana quimera na melodia
guarnecida com a cota da esperança
onde o futuro se reveste com a rima da poesia
e da vanguarda nos fazemos a principal lança
ao sonho… ao sonho meus senhores!!
desbravaremos o denso nevoeiro à nossa frente…
em nome de quem quiseres… ou dos vossos amores
que coração que não dói também não sente
teimemos afoitos na descoberta das coisas
forcemos o porvir da história
português; que seja dura pedra onde a cabeça poisas
porque tu sempre foste o criador da memória
nada nos aprisionou nas terras firmes
arriscamos dar o passo que nos tirou da escuridão
porque não sermos agora igualmente sublimes
se temos as coordenadas tatuadas na nossa ilusão
dilatamo-nos num país de tantas cidades
pelo bravio mar, sob céus tenebrosos de tanto negrume
por mor esforço das nossas lusitanas vontades
conquista-mos o forte couraçado em alto cume
porque agora deveria ser diferente
porque soçobraríamos perante o plano inclinado que é o mundo
nem fracos reis nos farão deixar de ser forte gente
nem o mundo nos encerrará o seu segredo mais profundo
ao sonho… ao sonho meus senhores!!
desbravaremos o denso nevoeiro à nossa frente…
em nome de quem quiseres… ou dos vossos amores
que coração que não dói também não sente
(1) Tágide: Ninfa do Tejo
leal maria
a alma do meu país vai ali jazendo
inspirado por magnifica Tágide (1)
sobre ela estes versos vou escrevendo
veio desse Tejo espelho d´águas
trazer-me à memória o murmurar das caravelas
onde a força da vontade vencia as mágoas
e Portugal conquistava o horizonte guiado pelas estrelas
hoje… prestamos a bárbaras línguas vassalagens
deixamo-nos seduzir pela mediocridade
fazemos da porcaria d´outros fartas pastagens
e esquecemos o quanto de nós era curiosidade
mas um fado se ouve lá ao longe
na voz sussurrante da pátria já esquecida
como uma reza de um devoto monge
que teima em pedir a deus que lázaro regresse à vida
traz a lusitana quimera na melodia
guarnecida com a cota da esperança
onde o futuro se reveste com a rima da poesia
e da vanguarda nos fazemos a principal lança
ao sonho… ao sonho meus senhores!!
desbravaremos o denso nevoeiro à nossa frente…
em nome de quem quiseres… ou dos vossos amores
que coração que não dói também não sente
teimemos afoitos na descoberta das coisas
forcemos o porvir da história
português; que seja dura pedra onde a cabeça poisas
porque tu sempre foste o criador da memória
nada nos aprisionou nas terras firmes
arriscamos dar o passo que nos tirou da escuridão
porque não sermos agora igualmente sublimes
se temos as coordenadas tatuadas na nossa ilusão
dilatamo-nos num país de tantas cidades
pelo bravio mar, sob céus tenebrosos de tanto negrume
por mor esforço das nossas lusitanas vontades
conquista-mos o forte couraçado em alto cume
porque agora deveria ser diferente
porque soçobraríamos perante o plano inclinado que é o mundo
nem fracos reis nos farão deixar de ser forte gente
nem o mundo nos encerrará o seu segredo mais profundo
ao sonho… ao sonho meus senhores!!
desbravaremos o denso nevoeiro à nossa frente…
em nome de quem quiseres… ou dos vossos amores
que coração que não dói também não sente
(1) Tágide: Ninfa do Tejo
leal maria
Olhei e vi...
… e do passado toda essa lonjura,
que o tempo nos vai esbatendo da memória;
parece eterna a ausência de ternura,
olha-se e vê-se sempre a meio o cumprir da história…
por muitos que sejam os corpos fazendo um país,
derrubados nos gritos com que se faz a fúria de matar;
cravam-se nos sonhos a âncora do ser feliz,
procura-se justificar tanta ânsia na necessidade do criar.
mas tu,
Homem esquecido dos livros que perpetuam o futuro;
és quem trazes cerrada a tua mão numa espada.
e as razões que te deram foi o semblante duro,
dum soberano que a quem incomodas como o pó da estrada.
de nada te proveram senão leis que te espartilham…
aos teus filhos até os deixaram morrer de fome!
nessas brilhantes sedas onde reluzentes definham,
toda a glória tomam e toda a culpa lhes some.
mas eis que eu te digo: Não tem que ser assim!
porque dás o quinhão maior ao inepto general?
a estrada que te mandaram caminhar não tem fim;
e outros a continuarão quando sobre ti vier o final.
pára então na berma e faz uma casa para te abrigares!
muralha-a vigorosa como uma praça forte!
que se as violências te impelirem de novo a matares,
sempre será tua a luta onde encontrarás a morte.
e quando o teu corpo pedir um outro caminho,
faz-te de novo ao mundo sob um céu que é teu.
que os teus passos sejam firmes mesmo caminhando sozinho,
e nada esperes do que um antigo deus te prometeu.
caminha alheio às suas belas e encantatórias canções
tão cheias de ornatos incisivos e enganosos.
e ainda que vejas em sentido contrário ao teu as multidões,
lembra-te que a liberdades tem os sons mais melodiosos.
que se guerreiem entre si em jogos de salão
e engordem nas iguarias em que se lambuzam…
que não será com o teu punhal que outros corpos abrirão
não dês mais o teu aval aos desmandos que no futuro produzam…
Sê tudo e ao ser tudo sê nada!
apenas e somente faz-te senhor da vontade!
que tudo é nosso mas no fundo no fundo não temos nada…
a não ser a nossa mais intrínseca liberdade!
leal maria
que o tempo nos vai esbatendo da memória;
parece eterna a ausência de ternura,
olha-se e vê-se sempre a meio o cumprir da história…
por muitos que sejam os corpos fazendo um país,
derrubados nos gritos com que se faz a fúria de matar;
cravam-se nos sonhos a âncora do ser feliz,
procura-se justificar tanta ânsia na necessidade do criar.
mas tu,
Homem esquecido dos livros que perpetuam o futuro;
és quem trazes cerrada a tua mão numa espada.
e as razões que te deram foi o semblante duro,
dum soberano que a quem incomodas como o pó da estrada.
de nada te proveram senão leis que te espartilham…
aos teus filhos até os deixaram morrer de fome!
nessas brilhantes sedas onde reluzentes definham,
toda a glória tomam e toda a culpa lhes some.
mas eis que eu te digo: Não tem que ser assim!
porque dás o quinhão maior ao inepto general?
a estrada que te mandaram caminhar não tem fim;
e outros a continuarão quando sobre ti vier o final.
pára então na berma e faz uma casa para te abrigares!
muralha-a vigorosa como uma praça forte!
que se as violências te impelirem de novo a matares,
sempre será tua a luta onde encontrarás a morte.
e quando o teu corpo pedir um outro caminho,
faz-te de novo ao mundo sob um céu que é teu.
que os teus passos sejam firmes mesmo caminhando sozinho,
e nada esperes do que um antigo deus te prometeu.
caminha alheio às suas belas e encantatórias canções
tão cheias de ornatos incisivos e enganosos.
e ainda que vejas em sentido contrário ao teu as multidões,
lembra-te que a liberdades tem os sons mais melodiosos.
que se guerreiem entre si em jogos de salão
e engordem nas iguarias em que se lambuzam…
que não será com o teu punhal que outros corpos abrirão
não dês mais o teu aval aos desmandos que no futuro produzam…
Sê tudo e ao ser tudo sê nada!
apenas e somente faz-te senhor da vontade!
que tudo é nosso mas no fundo no fundo não temos nada…
a não ser a nossa mais intrínseca liberdade!
leal maria
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
…em que nasceu o menino
nessa tua fragilidade
em que um homem e uma mulher no mundo te semeou
vislumbrei a primordial humanidade
e imaculadas as tuas mãos
pois por elas sangue algum se derramou
sim… eu te proclamo filho de todo o Homem
dado á existência com o que ele tem de mais puro
sem as raivas que o consomem
nem desejos desses paraísos que lhe fazem o caminho duro
derramo em ti o azeite de ungir um Deus
anuncio-te como o maior dos profetas esperados
uma renovada esperança… um adiado adeus…
porque a tua inocência prescinde de corpos crucificados
nasceste isento de tudo que é mal no mundo
permaneces eterno nessa tua meninice
o essencial de algo mais profundo
que perdurá para lá de todos os dogmas já moribundos de velhice
sim… nasceste num feliz dia
parido na vontade de alguém farto de tanta iniquidade
de ti, menino, se fez a eterna poesia
que é o teu olhar de criança a reflectir a divina liberdade
leal maria
em que um homem e uma mulher no mundo te semeou
vislumbrei a primordial humanidade
e imaculadas as tuas mãos
pois por elas sangue algum se derramou
sim… eu te proclamo filho de todo o Homem
dado á existência com o que ele tem de mais puro
sem as raivas que o consomem
nem desejos desses paraísos que lhe fazem o caminho duro
derramo em ti o azeite de ungir um Deus
anuncio-te como o maior dos profetas esperados
uma renovada esperança… um adiado adeus…
porque a tua inocência prescinde de corpos crucificados
nasceste isento de tudo que é mal no mundo
permaneces eterno nessa tua meninice
o essencial de algo mais profundo
que perdurá para lá de todos os dogmas já moribundos de velhice
sim… nasceste num feliz dia
parido na vontade de alguém farto de tanta iniquidade
de ti, menino, se fez a eterna poesia
que é o teu olhar de criança a reflectir a divina liberdade
leal maria
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
...
a noite acomoda-se na mansidão…
apenas lhe dá corpo um frio agreste.
e eu, amortalhado na sua escuridão,
penso em ti…
sob o lúgubre velar de um cipreste.
indiferente ao que no meu coração se sente,
o mundo,
vai-se alimentando dos nocturnos e ténues ruídos
que o anunciam cheio de vida...
mas há em mim, algo que presente,
que tudo são ferozes rugidos
antes de os silêncios
emprenharem a minha alma perdida.
e um límpido céu, pontilhado de estrelas,
fazendo jus à beleza da cósmica imensidão;
esmaga-me,
na luminosidade dessa miríade de velas…
é então que somente sinto,
o que foi um gentil toque da tua mão…
e o mundo, esse, mantém-se indiferente ao sentir do meu coração!
a noite, como um frágil paraíso aberto,
ao ver-me assim… vulnerável…
de sonhos tão deserto…
manda-me seguir em frente,
que é mais que tempo,
de dar fim ao que em mim há muito se sente.
obedeço e vou…
é tempo de deixar descansar o que na memória me ficou!
leal maria
apenas lhe dá corpo um frio agreste.
e eu, amortalhado na sua escuridão,
penso em ti…
sob o lúgubre velar de um cipreste.
indiferente ao que no meu coração se sente,
o mundo,
vai-se alimentando dos nocturnos e ténues ruídos
que o anunciam cheio de vida...
mas há em mim, algo que presente,
que tudo são ferozes rugidos
antes de os silêncios
emprenharem a minha alma perdida.
e um límpido céu, pontilhado de estrelas,
fazendo jus à beleza da cósmica imensidão;
esmaga-me,
na luminosidade dessa miríade de velas…
é então que somente sinto,
o que foi um gentil toque da tua mão…
e o mundo, esse, mantém-se indiferente ao sentir do meu coração!
a noite, como um frágil paraíso aberto,
ao ver-me assim… vulnerável…
de sonhos tão deserto…
manda-me seguir em frente,
que é mais que tempo,
de dar fim ao que em mim há muito se sente.
obedeço e vou…
é tempo de deixar descansar o que na memória me ficou!
leal maria
sábado, 20 de dezembro de 2008
Eu, o principio do verbo que criastes
…mas eis que no cimo do altar, olhei e não vi
rio algum do mundo de mim derivar
nenhuma nascente em mim nascer
somente que esse mundo em mim vinha desaguar
e o espírito inquieto do argonauta se recolher
e com todas as perguntas que há a fazer
achei-me sem nenhuma resposta na bagagem
até as mais enraizadas ideias me começaram a morrer
e a verdade adiei-a para um ponto incerto da viagem
mas pediram-me verdades absolutas
quiseram-me saber o nome de ser Deus
e eu mais não fiz que lhes dar fratricidas lutas
ocultando-lhes que correm para o definitivo adeus
e da frágil argamassa com que os disse ter feito
fiz templos onde ordenei que me adorassem
marquei-os com diversos sinais no peito
e acentuei-lhes as diferenças para que se guerreassem
obedientes; assim fizeram como lhes ordenei
tragaram-se numa sanguinária autofagia
numa semântica enviesada que tomaram como lei
sacrificaram-me corpos despedaçados declamando poesia
mas eu nada lhes aceitei
fiquei ali inerte, como sempre o tinha feito
com as suas gorduras nem um grama engordei
e o meu frio mármore manteve-se perfeito
pouco me interessa que definhem iludidos
não me comovo com as suas lágrimas de dor
em nada me perturba esses inocentes perdidos
quando me imploram misericórdia com todo o ardor
em todo caso de nada lhes poderia valer
neste pedestal onde impassível os observo
outros me fizeram deus para melhor vos conter
nada pode alterar a fria natureza em que me conservo
mas… engano meu
sinto-me… sinto-me um deus que ensandeceu
aborrece-me esta plêiade obtusa de sacerdotes
ogres de barriga inchada com o que é meu
peço-vos que os façais combustível dos vossos archotes
vede a imensa má seara que pela terra semearam
estragada é a semente das suas retóricas arcaica e serôdias
porque foi em vão aquilo que com a fé buscaram
e o banquete prometido é um pão de duras côdeas
recuso desde já os nomes que me deram
nem Jeová; nem Alá; ou outro que me queiram dar
que nessa imagem em que me fizeram
criaram-vos como rebanho mansamente a pastar
está na hora de emancipar-vos do pastor
é tempo de fazer do tempo uma renovada descoberta
que o que importa no fundo é o amor
de quem em cada manhã vê o divino que desperta
e eu, que nada lhes aceitei
continuarei aqui inerte, como sempre o tenho feito
com as suas gorduras nem um grama engordarei
e o meu frio mármore manter-se-á perfeito…
leal maria
rio algum do mundo de mim derivar
nenhuma nascente em mim nascer
somente que esse mundo em mim vinha desaguar
e o espírito inquieto do argonauta se recolher
e com todas as perguntas que há a fazer
achei-me sem nenhuma resposta na bagagem
até as mais enraizadas ideias me começaram a morrer
e a verdade adiei-a para um ponto incerto da viagem
mas pediram-me verdades absolutas
quiseram-me saber o nome de ser Deus
e eu mais não fiz que lhes dar fratricidas lutas
ocultando-lhes que correm para o definitivo adeus
e da frágil argamassa com que os disse ter feito
fiz templos onde ordenei que me adorassem
marquei-os com diversos sinais no peito
e acentuei-lhes as diferenças para que se guerreassem
obedientes; assim fizeram como lhes ordenei
tragaram-se numa sanguinária autofagia
numa semântica enviesada que tomaram como lei
sacrificaram-me corpos despedaçados declamando poesia
mas eu nada lhes aceitei
fiquei ali inerte, como sempre o tinha feito
com as suas gorduras nem um grama engordei
e o meu frio mármore manteve-se perfeito
pouco me interessa que definhem iludidos
não me comovo com as suas lágrimas de dor
em nada me perturba esses inocentes perdidos
quando me imploram misericórdia com todo o ardor
em todo caso de nada lhes poderia valer
neste pedestal onde impassível os observo
outros me fizeram deus para melhor vos conter
nada pode alterar a fria natureza em que me conservo
mas… engano meu
sinto-me… sinto-me um deus que ensandeceu
aborrece-me esta plêiade obtusa de sacerdotes
ogres de barriga inchada com o que é meu
peço-vos que os façais combustível dos vossos archotes
vede a imensa má seara que pela terra semearam
estragada é a semente das suas retóricas arcaica e serôdias
porque foi em vão aquilo que com a fé buscaram
e o banquete prometido é um pão de duras côdeas
recuso desde já os nomes que me deram
nem Jeová; nem Alá; ou outro que me queiram dar
que nessa imagem em que me fizeram
criaram-vos como rebanho mansamente a pastar
está na hora de emancipar-vos do pastor
é tempo de fazer do tempo uma renovada descoberta
que o que importa no fundo é o amor
de quem em cada manhã vê o divino que desperta
e eu, que nada lhes aceitei
continuarei aqui inerte, como sempre o tenho feito
com as suas gorduras nem um grama engordarei
e o meu frio mármore manter-se-á perfeito…
leal maria
lá longe, esperam-me…
depois do tanto e tanto que foi dito,
ainda é tanto o que tenho a dizer!
paira sobre mim um fantasma maldito...
um permanente buscar aquilo que houver.
às memórias, já me vão faltando substâncias!
e se saudades sinto,
é de tudo aquilo que ainda não busquei!
que nas minhas “ transumâncias”,
há sempre um horizonte que ainda não explorei…
o que me importa o nunca chegar!?
para quê o sossego de um destino alcançado!?
tenho em mim um coração viajante a pulsar…
e pela inquietude ando permanentemente abraçado.
que não queiram vir comigo… compreendo!
mas não me pergunteis para quê esta dor de alma…
há mais mundo para além daquele que apreendo.
e nada me seduz num espírito cheio de calma!
o que amei,
com algum do meu amor ficou…
o que odiei,
ainda subsiste no que em mim não amansou…
mas tudo deixo como marcas no caminho,
para não me perder se me vier a vontade do regresso.
sei que escolhi caminhar sozinho…
mas tenho esperança que por mim esperem… confesso!
leal maria
ainda é tanto o que tenho a dizer!
paira sobre mim um fantasma maldito...
um permanente buscar aquilo que houver.
às memórias, já me vão faltando substâncias!
e se saudades sinto,
é de tudo aquilo que ainda não busquei!
que nas minhas “ transumâncias”,
há sempre um horizonte que ainda não explorei…
o que me importa o nunca chegar!?
para quê o sossego de um destino alcançado!?
tenho em mim um coração viajante a pulsar…
e pela inquietude ando permanentemente abraçado.
que não queiram vir comigo… compreendo!
mas não me pergunteis para quê esta dor de alma…
há mais mundo para além daquele que apreendo.
e nada me seduz num espírito cheio de calma!
o que amei,
com algum do meu amor ficou…
o que odiei,
ainda subsiste no que em mim não amansou…
mas tudo deixo como marcas no caminho,
para não me perder se me vier a vontade do regresso.
sei que escolhi caminhar sozinho…
mas tenho esperança que por mim esperem… confesso!
leal maria
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
reverso
caminhei ao acaso
por entre o absurdo que é isto de sentir;
e estudado que foi o meu passo,
não me evitou de em ti tropeçar e cair.
e as sombras, predominando sobre mim;
puseram-me à margem da tua claridade.
reclamei o princípio de um esperado fim,
exigi o meu quinhão de matizada saudade...
mas saudade … tenho eu de sobejo!
matizada de coisa nenhuma…
um gesto teu; um sorriso e o sonho de um beijo…
…efémera onda, num mar de branca espuma!
que importa o etéreo suspiro,
que outrora pensei em ti ouvir?
que importa seres-me como o ar que respiro,
se o tempo me sepulta na vida que vejo em ti surgir?!
estou já para lá da tua gramática…
falo-te num linguajar arcaico e obtuso.
e a minha mão, parada; estática…
desenha no vazio a tua geografia que eu esquecer recuso.
tudo agora em mim se cinge
a uma espera sem nada esperar.
e numa posse em que tudo se finge,
até me convenço que deixei de te amar…
mas o teu olhar… ai esse teu olhar…
revela em mim o esplendor de toda a tua beleza.
essa beleza sem nenhum altar...
pueril graça da natureza!
mas que importa o etéreo suspiro,
que outrora pensei em ti ouvir?
que importa seres-me como o ar que respiro,
se o tempo me sepulta na vida que vejo em ti surgir?!
estamos os dois em lados opostos do universo
tu és a sua renovada face e eu o seu reverso…
leal maria
por entre o absurdo que é isto de sentir;
e estudado que foi o meu passo,
não me evitou de em ti tropeçar e cair.
e as sombras, predominando sobre mim;
puseram-me à margem da tua claridade.
reclamei o princípio de um esperado fim,
exigi o meu quinhão de matizada saudade...
mas saudade … tenho eu de sobejo!
matizada de coisa nenhuma…
um gesto teu; um sorriso e o sonho de um beijo…
…efémera onda, num mar de branca espuma!
que importa o etéreo suspiro,
que outrora pensei em ti ouvir?
que importa seres-me como o ar que respiro,
se o tempo me sepulta na vida que vejo em ti surgir?!
estou já para lá da tua gramática…
falo-te num linguajar arcaico e obtuso.
e a minha mão, parada; estática…
desenha no vazio a tua geografia que eu esquecer recuso.
tudo agora em mim se cinge
a uma espera sem nada esperar.
e numa posse em que tudo se finge,
até me convenço que deixei de te amar…
mas o teu olhar… ai esse teu olhar…
revela em mim o esplendor de toda a tua beleza.
essa beleza sem nenhum altar...
pueril graça da natureza!
mas que importa o etéreo suspiro,
que outrora pensei em ti ouvir?
que importa seres-me como o ar que respiro,
se o tempo me sepulta na vida que vejo em ti surgir?!
estamos os dois em lados opostos do universo
tu és a sua renovada face e eu o seu reverso…
leal maria
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
...
de que valem as palavras,
quando tudo não faz sentido?
de que vale uma memória,
que se alimenta do que é já perdido?
nos mais ínfimos gestos,
reconheço em ti o corpo
do meu amor mais profundo.
e na tua voz,
declamados;
ouço os poemas todos do mundo
mas há tanto que te aguardo ,
na ponta do desespero…
esse limbo, entre o sonho e realidade,
onde em vão que por ti espero!
e a tua ausência
Já se faz maior que tudo
de nada me vale
o efémero que entre nós havia
amo-te num grito mudo
amordaçado…
num absorto lirismo de poesia.
lea maria
quando tudo não faz sentido?
de que vale uma memória,
que se alimenta do que é já perdido?
nos mais ínfimos gestos,
reconheço em ti o corpo
do meu amor mais profundo.
e na tua voz,
declamados;
ouço os poemas todos do mundo
mas há tanto que te aguardo ,
na ponta do desespero…
esse limbo, entre o sonho e realidade,
onde em vão que por ti espero!
e a tua ausência
Já se faz maior que tudo
de nada me vale
o efémero que entre nós havia
amo-te num grito mudo
amordaçado…
num absorto lirismo de poesia.
lea maria
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
em mim, a memória do mundo
exigem-me um curriculum vitae...
curiosos,
pedem-me aquilo que sou contado como numa história.
tolos…
não me vêm encimado num pedestal que não cai?
não sabem que sou a humanidade em toda a sua memória!?
eu sou o soldado de Roma: o legionário;
para a batalha perfilado, entre a coragem e o medo…
eu sou o romance tirado ao imaginário,
de quem desesperadamente amava em segredo.
sou o inicio de um grito,
que se abafa sob a mão dos torturadores…
eu sou o dia bonito,
agradando à donzela que pinta no jardim as flores.
eu sou o infeliz e valente marinheiro,
que se levantou da morte mais vezes que as que caiu no mar.
eu sou o que se disse: “o primeiro!”
e sob o nome de seu senhor, veio as possessões reclamar.
eu sou o choro da criança ao nascer
e o desconsolado olhar da sua mãe de muitos filhos…
o gemido de lamento do velho ao morrer;
a coordenada que indicou os novos trilhos…
as minhas mãos têm sementes de fome e de pão!
na minha carne há o sabor de milénios de suor!
sou o furtivo vulto na escuridão…
sou feito de tantos e tantos poemas de amor!
sou o suicida que ao desespero se abandonou…
sou o soldado que se sacrificou pelos camaradas.
sou o sonho que uma vida inteira se buscou...
sou o tempo que diz que as coisas são passadas.
sou o actor da peça cheia de ambiguidades;
o dramaturgo de uma vida que não interessa a ninguém.
sou a lágrima que inadvertidamente revela as saudades;
o cínico sorriso que tenta disfarçar o desdém…
sou o deus que virou a cara ao seu povo!
o sacerdote que perdeu a fé.
sou o pregador anunciando o mundo novo…
o sub-reptício politico prometendo “amanhás” ao sabor da maré
sou o lavrador que rasga a terra,
numa prece aos deuses da boa sorte.
sou a declaração de guerra,
que prenuncia campos cheios de morte.
sou tudo e esse tudo não me cabe na vida...
sou o que foi e o que vai ser!
sobre as brumas da memória já perdida…
sou eu (e tu) que trago às costas,
esta humanidade que se recusa a perecer…
leal maria
curiosos,
pedem-me aquilo que sou contado como numa história.
tolos…
não me vêm encimado num pedestal que não cai?
não sabem que sou a humanidade em toda a sua memória!?
eu sou o soldado de Roma: o legionário;
para a batalha perfilado, entre a coragem e o medo…
eu sou o romance tirado ao imaginário,
de quem desesperadamente amava em segredo.
sou o inicio de um grito,
que se abafa sob a mão dos torturadores…
eu sou o dia bonito,
agradando à donzela que pinta no jardim as flores.
eu sou o infeliz e valente marinheiro,
que se levantou da morte mais vezes que as que caiu no mar.
eu sou o que se disse: “o primeiro!”
e sob o nome de seu senhor, veio as possessões reclamar.
eu sou o choro da criança ao nascer
e o desconsolado olhar da sua mãe de muitos filhos…
o gemido de lamento do velho ao morrer;
a coordenada que indicou os novos trilhos…
as minhas mãos têm sementes de fome e de pão!
na minha carne há o sabor de milénios de suor!
sou o furtivo vulto na escuridão…
sou feito de tantos e tantos poemas de amor!
sou o suicida que ao desespero se abandonou…
sou o soldado que se sacrificou pelos camaradas.
sou o sonho que uma vida inteira se buscou...
sou o tempo que diz que as coisas são passadas.
sou o actor da peça cheia de ambiguidades;
o dramaturgo de uma vida que não interessa a ninguém.
sou a lágrima que inadvertidamente revela as saudades;
o cínico sorriso que tenta disfarçar o desdém…
sou o deus que virou a cara ao seu povo!
o sacerdote que perdeu a fé.
sou o pregador anunciando o mundo novo…
o sub-reptício politico prometendo “amanhás” ao sabor da maré
sou o lavrador que rasga a terra,
numa prece aos deuses da boa sorte.
sou a declaração de guerra,
que prenuncia campos cheios de morte.
sou tudo e esse tudo não me cabe na vida...
sou o que foi e o que vai ser!
sobre as brumas da memória já perdida…
sou eu (e tu) que trago às costas,
esta humanidade que se recusa a perecer…
leal maria
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