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domingo, 8 de setembro de 2024
domingo, 28 de dezembro de 2008
Olhei e vi...
… e do passado toda essa lonjura,
que o tempo nos vai esbatendo da memória;
parece eterna a ausência de ternura,
olha-se e vê-se sempre a meio o cumprir da história…
por muitos que sejam os corpos fazendo um país,
derrubados nos gritos com que se faz a fúria de matar;
cravam-se nos sonhos a âncora do ser feliz,
procura-se justificar tanta ânsia na necessidade do criar.
mas tu,
Homem esquecido dos livros que perpetuam o futuro;
és quem trazes cerrada a tua mão numa espada.
e as razões que te deram foi o semblante duro,
dum soberano que a quem incomodas como o pó da estrada.
de nada te proveram senão leis que te espartilham…
aos teus filhos até os deixaram morrer de fome!
nessas brilhantes sedas onde reluzentes definham,
toda a glória tomam e toda a culpa lhes some.
mas eis que eu te digo: Não tem que ser assim!
porque dás o quinhão maior ao inepto general?
a estrada que te mandaram caminhar não tem fim;
e outros a continuarão quando sobre ti vier o final.
pára então na berma e faz uma casa para te abrigares!
muralha-a vigorosa como uma praça forte!
que se as violências te impelirem de novo a matares,
sempre será tua a luta onde encontrarás a morte.
e quando o teu corpo pedir um outro caminho,
faz-te de novo ao mundo sob um céu que é teu.
que os teus passos sejam firmes mesmo caminhando sozinho,
e nada esperes do que um antigo deus te prometeu.
caminha alheio às suas belas e encantatórias canções
tão cheias de ornatos incisivos e enganosos.
e ainda que vejas em sentido contrário ao teu as multidões,
lembra-te que a liberdades tem os sons mais melodiosos.
que se guerreiem entre si em jogos de salão
e engordem nas iguarias em que se lambuzam…
que não será com o teu punhal que outros corpos abrirão
não dês mais o teu aval aos desmandos que no futuro produzam…
Sê tudo e ao ser tudo sê nada!
apenas e somente faz-te senhor da vontade!
que tudo é nosso mas no fundo no fundo não temos nada…
a não ser a nossa mais intrínseca liberdade!
leal maria
que o tempo nos vai esbatendo da memória;
parece eterna a ausência de ternura,
olha-se e vê-se sempre a meio o cumprir da história…
por muitos que sejam os corpos fazendo um país,
derrubados nos gritos com que se faz a fúria de matar;
cravam-se nos sonhos a âncora do ser feliz,
procura-se justificar tanta ânsia na necessidade do criar.
mas tu,
Homem esquecido dos livros que perpetuam o futuro;
és quem trazes cerrada a tua mão numa espada.
e as razões que te deram foi o semblante duro,
dum soberano que a quem incomodas como o pó da estrada.
de nada te proveram senão leis que te espartilham…
aos teus filhos até os deixaram morrer de fome!
nessas brilhantes sedas onde reluzentes definham,
toda a glória tomam e toda a culpa lhes some.
mas eis que eu te digo: Não tem que ser assim!
porque dás o quinhão maior ao inepto general?
a estrada que te mandaram caminhar não tem fim;
e outros a continuarão quando sobre ti vier o final.
pára então na berma e faz uma casa para te abrigares!
muralha-a vigorosa como uma praça forte!
que se as violências te impelirem de novo a matares,
sempre será tua a luta onde encontrarás a morte.
e quando o teu corpo pedir um outro caminho,
faz-te de novo ao mundo sob um céu que é teu.
que os teus passos sejam firmes mesmo caminhando sozinho,
e nada esperes do que um antigo deus te prometeu.
caminha alheio às suas belas e encantatórias canções
tão cheias de ornatos incisivos e enganosos.
e ainda que vejas em sentido contrário ao teu as multidões,
lembra-te que a liberdades tem os sons mais melodiosos.
que se guerreiem entre si em jogos de salão
e engordem nas iguarias em que se lambuzam…
que não será com o teu punhal que outros corpos abrirão
não dês mais o teu aval aos desmandos que no futuro produzam…
Sê tudo e ao ser tudo sê nada!
apenas e somente faz-te senhor da vontade!
que tudo é nosso mas no fundo no fundo não temos nada…
a não ser a nossa mais intrínseca liberdade!
leal maria
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
a semântica de um sonho acabado
tu e eu
com as palavras nos lábios ardendo
enredados nas entrelinhas do que sentimos
vemo-nos já perdendo
o rumo da história em que iludidos persistimos
e na esconsa representação que fizemos
das personagens que então sonhamos
projectamos o mundo que quisemos
deixando para trás a realidade que abandonamos
mas os gestos suspensos no tempo
que nos marcava a ilusão de eternidade
deixou-nos nas mãos o contratempo
de uma perene e dura saudade
tudo agora desaba no caos da normalidade
lentamente
apreendemos a semântica de um sonho que acabou
e o significado do que foi a nossa verdade
encerra-se nesse dicionário que o tempo fechou
somos ambos filhos de um deus ausente
anjos caídos em desgraça
pretérita caligrafia escrita no presente
num cruel verbo que de abandono nos abraça
resta-nos agora os olhares fugidios
que se cruzam em mal contidos embaraços
e fazemos segredo dos nossos dias vazios
embrulhando vacuidades com espalhafatosos laços
leal maria
com as palavras nos lábios ardendo
enredados nas entrelinhas do que sentimos
vemo-nos já perdendo
o rumo da história em que iludidos persistimos
e na esconsa representação que fizemos
das personagens que então sonhamos
projectamos o mundo que quisemos
deixando para trás a realidade que abandonamos
mas os gestos suspensos no tempo
que nos marcava a ilusão de eternidade
deixou-nos nas mãos o contratempo
de uma perene e dura saudade
tudo agora desaba no caos da normalidade
lentamente
apreendemos a semântica de um sonho que acabou
e o significado do que foi a nossa verdade
encerra-se nesse dicionário que o tempo fechou
somos ambos filhos de um deus ausente
anjos caídos em desgraça
pretérita caligrafia escrita no presente
num cruel verbo que de abandono nos abraça
resta-nos agora os olhares fugidios
que se cruzam em mal contidos embaraços
e fazemos segredo dos nossos dias vazios
embrulhando vacuidades com espalhafatosos laços
leal maria
sábado, 6 de dezembro de 2008
o canto da memória
guardo-te a um canto,
no mais profundo de mim
entre uma ténue luz
impondo-se à escuridão
nesse canto
está a essência de onde eu vim
o húmus
que fertilizou o meu primordial chão
fazem-te companhia
as coisas da minha memória
por vezes esquecidas,
mas nunca deitadas fora
e nos caracteres
com que escrevo a minha história
deixo-me à tua guarda
quando me for embora
sussurra-me na alma
(ela sempre te escutou)
as palavras
que me atormentaram por tanto as desejar
esqueça-mos o tempo
que para trás ficou
que eu vou adiante
e somente te deixo o meu sonhar
não! não sou eu que vou partir
nem tão pouco irei chegar
é outro que no meu corpo há-de vir
que o meu “eu” está já cumprido
e vai contigo ficar
guarda bem essa minha antiga morada
nela ficará o sal do meu mar
que entre a partida e a chegada
aí, nunca por ti findará o meu amar
que interessa o passado ou o futuro
aí…. será sempre presente
o tempo não se metamorfoseia num muro
e perene se torna
o que no momento se sente
outro “eu” ocupará o “espaço”
que foi o meu lugar no mundo
feito pelos fragmentos
dos muitos que me fizeram
que a vida
é um suspiro de um sonho profundo
e comigo levarei, a essencial substância
“desses” muitos que me antecederam
leal maria
no mais profundo de mim
entre uma ténue luz
impondo-se à escuridão
nesse canto
está a essência de onde eu vim
o húmus
que fertilizou o meu primordial chão
fazem-te companhia
as coisas da minha memória
por vezes esquecidas,
mas nunca deitadas fora
e nos caracteres
com que escrevo a minha história
deixo-me à tua guarda
quando me for embora
sussurra-me na alma
(ela sempre te escutou)
as palavras
que me atormentaram por tanto as desejar
esqueça-mos o tempo
que para trás ficou
que eu vou adiante
e somente te deixo o meu sonhar
não! não sou eu que vou partir
nem tão pouco irei chegar
é outro que no meu corpo há-de vir
que o meu “eu” está já cumprido
e vai contigo ficar
guarda bem essa minha antiga morada
nela ficará o sal do meu mar
que entre a partida e a chegada
aí, nunca por ti findará o meu amar
que interessa o passado ou o futuro
aí…. será sempre presente
o tempo não se metamorfoseia num muro
e perene se torna
o que no momento se sente
outro “eu” ocupará o “espaço”
que foi o meu lugar no mundo
feito pelos fragmentos
dos muitos que me fizeram
que a vida
é um suspiro de um sonho profundo
e comigo levarei, a essencial substância
“desses” muitos que me antecederam
leal maria
a sombra das palavras
as palavras,
já gastas pelo tempo;
esbatem-se nas sombras do que senti.
e na impossível memória
do sentimento,
folheio em parágrafos
o sonho do qual fugi.
sentado…
à espera não sei bem de quê…
olho o caminho…
nada nele se anuncia!
nem quando…
nem como…
porquê...?
que é feito do desejo
que então em mim havia?
passam e não lhes ligo.
ignoro as promessas de novas verdades.
Incomplacentes;
cruas;
aprisionam-me as saudades…
deixo-me ficar!
expectante
no que já tomei como certo.
paradoxo
em que me deixo enredar;
pelo conforto de um coração deserto.
mas algo se move em mim!
há uma inquietude
que me substancia .
não… não é ainda o fim!
surgir-me-ão novas palavras...
esculpirei nelas mais uma poesia!
leal maria
já gastas pelo tempo;
esbatem-se nas sombras do que senti.
e na impossível memória
do sentimento,
folheio em parágrafos
o sonho do qual fugi.
sentado…
à espera não sei bem de quê…
olho o caminho…
nada nele se anuncia!
nem quando…
nem como…
porquê...?
que é feito do desejo
que então em mim havia?
passam e não lhes ligo.
ignoro as promessas de novas verdades.
Incomplacentes;
cruas;
aprisionam-me as saudades…
deixo-me ficar!
expectante
no que já tomei como certo.
paradoxo
em que me deixo enredar;
pelo conforto de um coração deserto.
mas algo se move em mim!
há uma inquietude
que me substancia .
não… não é ainda o fim!
surgir-me-ão novas palavras...
esculpirei nelas mais uma poesia!
leal maria
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
fragmentos
Fragmentos…
gestos contidos contra a minha vontade
uma mal disfarçada verdade
o silêncio em que tudo digo sem nada dizer
um claro dia que principia a escurecer
meus passos sem um destino preciso
a causa na qual empenhei a alma
o código que mantenho omisso
a melodia embalando-me a tarde calma
a fúria que me turva o discernimento
a violência na minha mão alojada
a palavra que me dá corpo ao sentimento
o corpo da mulher amada
um sorriso fazendo-me feliz o dia
o sentido da vida num simples abraço
o segredo escondido na poesia
o tempo amordaçando-me com o seu laço
a imprescindível conversa que adiei
as batalhas nas quais combati
o sagrado que em vão busquei
o improvável amor que então senti
a memória de uma fraterna amizade
a circunstância sonegando-me o beijo
a fisionomia da intensa saudade
o delito de um inconfessável desejo
a sombra anunciando-me a companhia
o trilho que vou partilhando
o horizonte que o futuro então me prometia
o rosto que afinal continuo amando
…fragmentos!!
leal maria
gestos contidos contra a minha vontade
uma mal disfarçada verdade
o silêncio em que tudo digo sem nada dizer
um claro dia que principia a escurecer
meus passos sem um destino preciso
a causa na qual empenhei a alma
o código que mantenho omisso
a melodia embalando-me a tarde calma
a fúria que me turva o discernimento
a violência na minha mão alojada
a palavra que me dá corpo ao sentimento
o corpo da mulher amada
um sorriso fazendo-me feliz o dia
o sentido da vida num simples abraço
o segredo escondido na poesia
o tempo amordaçando-me com o seu laço
a imprescindível conversa que adiei
as batalhas nas quais combati
o sagrado que em vão busquei
o improvável amor que então senti
a memória de uma fraterna amizade
a circunstância sonegando-me o beijo
a fisionomia da intensa saudade
o delito de um inconfessável desejo
a sombra anunciando-me a companhia
o trilho que vou partilhando
o horizonte que o futuro então me prometia
o rosto que afinal continuo amando
…fragmentos!!
leal maria
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
…e o dia que virá, dissipará a escuridão da noite.
nos meus dias tomados pela escuridão,
trajados de um triste cinzento…
no mundo destruído pelo deserto que trago na mão,
na cruel melodia de um nefando lamento…
sei que me manterei de pé!
não soçobrarei à tempestade!
porque faço minha profissão de fé
na força que vou buscar à vontade.
p´ra lá de todos os altos muros
que teimam em barrar-me o caminho;
encontrarei a luz que me dissipará os dias escuros.
e então não caminharei mais sozinho…
olharei de frente a incerteza;
na sua mais crua fisionomia...
dela farei a minha intrínseca natureza,
dançará ao som da minha poesia.
porque nada me amarra ao medo!
a noite não é eterna nem em mim perdura!
procuro sempre decifrar todo o segredo,
do dia que vislumbro na lonjura…
e na força do meu braço esforçado,
no desassossego d´alma inquieta;
far-me-ei argonauta de um mar não navegado,
que o tesouro maior se encerra na descoberta.
será num grito a plenos pulmões,
que anunciarei o que tenho de mais profundo.
pois em mim batem mil e um corações...
e sou guardião dos sonhos todos do mundo.
leal maria
sábado, 22 de novembro de 2008
…o incerto na linha do horizonte
já tão frágil…
a memória que em mim há do teu olhar,
desvanece-se à força da minha vontade.
e os passos que dou,
já não são para te procurar;
e deixei de me chamar saudade…
mas sabes!?
é imenso o vazio que ocupa o espaço,
que eu te forço a abandonar.
e sinto, no profundo de mim, o abraço;
que envolve de frio o meu sonhar.
troquei as voltas aos desejos…
agarrei firme os instintos que me perdiam!
que o destino não se verga à força de beijos;
e o mundo não é dos que se refugiam…
e nos trilhos
que agora me indicam a direcção,
não lhes reconheço
nenhuma das geografias que em ti sonhei.
sigo caminho,
sem que nada agarre a minha mão;
e do destino que me espera, nada sei!
mas foi sempre assim que eu quis!
o incerto fazendo-se horizonte do meu futuro.
entre o gesto que tudo e nada diz.
coordenadas…
alternando-me entre a luminosidade e o escuro.
Leal maria
a memória que em mim há do teu olhar,
desvanece-se à força da minha vontade.
e os passos que dou,
já não são para te procurar;
e deixei de me chamar saudade…
mas sabes!?
é imenso o vazio que ocupa o espaço,
que eu te forço a abandonar.
e sinto, no profundo de mim, o abraço;
que envolve de frio o meu sonhar.
troquei as voltas aos desejos…
agarrei firme os instintos que me perdiam!
que o destino não se verga à força de beijos;
e o mundo não é dos que se refugiam…
e nos trilhos
que agora me indicam a direcção,
não lhes reconheço
nenhuma das geografias que em ti sonhei.
sigo caminho,
sem que nada agarre a minha mão;
e do destino que me espera, nada sei!
mas foi sempre assim que eu quis!
o incerto fazendo-se horizonte do meu futuro.
entre o gesto que tudo e nada diz.
coordenadas…
alternando-me entre a luminosidade e o escuro.
Leal maria
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domingo, 16 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
o ensurdecedor silêncio do que fica por dizer...
eram ainda tantas as coisas
que havia a dizer...
nas palavras que no silêncio amordaçamos.
mas no sonho,
que quis o acaso que houvera-mos de ter,
traímos o juramento em que nos empenhamos.
juntos; percorremos caminhos
que outros tão cobardemente abandonaram…
mas no fim,
achamo-nos tão sozinhos,
que já nem a nós próprios
os sonhos se justificaram.
mas que raio…!
afinal, tivemos na mão a vontade,
com que num imenso querer,
segurávamos o mundo.
fizemos aos repelões
fragmentos da ideal cidade;
entre os corpos sentidos,
num improvável amor profundo.
mas o teu corpo amansou
nesses mimos a que te deste.
definhou na doçura
das coisas dadas de mão beijada.
e eu deixei-me embalar,
por esse suave canto que me fizeste;
fazendo do irrisório,
coisa por mim muito desejada.
mas isso agora acabou!
ouço já os novos cantos que me chamam!
e nesse lugar para onde agora vou,
há dialécticas que a alma me inflamam!
deixo-te aí…
nessa prisão em que te meteste.
nesse deserto…
por entre frases tão vazias de conteúdo
porque da loucura que me prometeste
somente me resta a poeira de um sentir miúdo
mas não chores… nada lamentes!
há sempre um fim,
que impaciente, esperava um começo.
não sei o que hoje deveras sentes!
mas do teu corpo à minha palavra,
vai uma distância que de todo desconheço...
leal maria
que havia a dizer...
nas palavras que no silêncio amordaçamos.
mas no sonho,
que quis o acaso que houvera-mos de ter,
traímos o juramento em que nos empenhamos.
juntos; percorremos caminhos
que outros tão cobardemente abandonaram…
mas no fim,
achamo-nos tão sozinhos,
que já nem a nós próprios
os sonhos se justificaram.
mas que raio…!
afinal, tivemos na mão a vontade,
com que num imenso querer,
segurávamos o mundo.
fizemos aos repelões
fragmentos da ideal cidade;
entre os corpos sentidos,
num improvável amor profundo.
mas o teu corpo amansou
nesses mimos a que te deste.
definhou na doçura
das coisas dadas de mão beijada.
e eu deixei-me embalar,
por esse suave canto que me fizeste;
fazendo do irrisório,
coisa por mim muito desejada.
mas isso agora acabou!
ouço já os novos cantos que me chamam!
e nesse lugar para onde agora vou,
há dialécticas que a alma me inflamam!
deixo-te aí…
nessa prisão em que te meteste.
nesse deserto…
por entre frases tão vazias de conteúdo
porque da loucura que me prometeste
somente me resta a poeira de um sentir miúdo
mas não chores… nada lamentes!
há sempre um fim,
que impaciente, esperava um começo.
não sei o que hoje deveras sentes!
mas do teu corpo à minha palavra,
vai uma distância que de todo desconheço...
leal maria
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
...o caminho que medeia um abraço e um beijo.
a meio do caminho,
entre um abraço e um beijo,
matei,
por momentos, a vontade de ti me servir…
olhei e vi-me sozinho…
tão longe desse teu desejo…
que não sei se me afastei ou algo me fez fugir!
quantas hesitações
antecedem o tempo em que nos damos?
que sonhos esperamos encontrar
neste despojar de nós?
permutamos os corpos
como um salvo-conduto para onde vamos;
e faz-nos correr o medo que temos de ficarmos sós…
essa mão,
que tremendo me estendes,
provoca-me uma covardia
que me impele a agarrar-te!
não desperdices essa lágrima e vê se entendes;
o quanto me fragiliza
a intensidade do meu amar-te.
apenas uma ínfima parte de mim
é a que te dou!
regateio
cada pedaço d´alma que me vens tirar!
no entanto,
sinto que me tens em ti muito mais do que eu sou…
e isso é muito mais do que eu te queria dar!
mas na relutância
com que me entrego a essa escravidão;
encontro os grilhões que me ancoram à liberdade…
todo um universo unido
no agarrar da minha e tua mão,
justificado no teu olhar
a brilhar de antecipada saudade…
leal maria
entre um abraço e um beijo,
matei,
por momentos, a vontade de ti me servir…
olhei e vi-me sozinho…
tão longe desse teu desejo…
que não sei se me afastei ou algo me fez fugir!
quantas hesitações
antecedem o tempo em que nos damos?
que sonhos esperamos encontrar
neste despojar de nós?
permutamos os corpos
como um salvo-conduto para onde vamos;
e faz-nos correr o medo que temos de ficarmos sós…
essa mão,
que tremendo me estendes,
provoca-me uma covardia
que me impele a agarrar-te!
não desperdices essa lágrima e vê se entendes;
o quanto me fragiliza
a intensidade do meu amar-te.
apenas uma ínfima parte de mim
é a que te dou!
regateio
cada pedaço d´alma que me vens tirar!
no entanto,
sinto que me tens em ti muito mais do que eu sou…
e isso é muito mais do que eu te queria dar!
mas na relutância
com que me entrego a essa escravidão;
encontro os grilhões que me ancoram à liberdade…
todo um universo unido
no agarrar da minha e tua mão,
justificado no teu olhar
a brilhar de antecipada saudade…
leal maria
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
...
foste o poema primeiro,
que em mim criou
emoções com forma e espaço.
dando um corpo de palavra
aos meus sonhos;
e trazendo-me os desejos medonhos,
das almas e corpos
irmanados num universal abraço.
tudo no universo se desvanece…
somos apenas cósmica poeira
à deriva no espaço sideral!
mas a palavra perdurará
para além do que de imediato acontece;
e o ridículo do que se disse
perder-se-à com a ingenuidade original.
por isso te invisto
com a dignidade de seres o primeiro.
porque em ti há a minha vida toda
feita num imediato impulso!
sou eu na minha natureza por inteiro;
procurando os paraísos,
de onde nenhum homem seja expulso…
mas hoje, ao recordar-te…
enfim; rever-te!
vejo-te como o princípio de um imenso adeus.
porque pelo sonho que és,
é perpetuo o meu querer-te!
e tudo posso perder,
mas os sonhos,
esses, serão sempre meus!
e quando,
no porvir do inexorável tempo,
o rosto que te deu origem;
começar a desvanecer-se
da memória do meu sentimento;
ficará a palavra então tão virgem;
deixando para a eternidade,
a poética imensidão de um perfeito momento…
leal maria
que em mim criou
emoções com forma e espaço.
dando um corpo de palavra
aos meus sonhos;
e trazendo-me os desejos medonhos,
das almas e corpos
irmanados num universal abraço.
tudo no universo se desvanece…
somos apenas cósmica poeira
à deriva no espaço sideral!
mas a palavra perdurará
para além do que de imediato acontece;
e o ridículo do que se disse
perder-se-à com a ingenuidade original.
por isso te invisto
com a dignidade de seres o primeiro.
porque em ti há a minha vida toda
feita num imediato impulso!
sou eu na minha natureza por inteiro;
procurando os paraísos,
de onde nenhum homem seja expulso…
mas hoje, ao recordar-te…
enfim; rever-te!
vejo-te como o princípio de um imenso adeus.
porque pelo sonho que és,
é perpetuo o meu querer-te!
e tudo posso perder,
mas os sonhos,
esses, serão sempre meus!
e quando,
no porvir do inexorável tempo,
o rosto que te deu origem;
começar a desvanecer-se
da memória do meu sentimento;
ficará a palavra então tão virgem;
deixando para a eternidade,
a poética imensidão de um perfeito momento…
leal maria
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