ergui-me em toda a minha majestade
do milenar fogo em que me imolastes
e foi num templo de mentira sobre a verdade
que vós, loucos, tão afoitos me criastes
aplanastes os caminhos que percorri
destes novas fúrias aos meus semblantes
foi com amargos sorrisos que eu vos vi
castrar aos corpos as esperanças dos amantes
e com as vossas simples alquimias
fizestes dos silêncios uma espada afiada
lançastes a morte à palavra esculpida das poesias
a liberdade foi da vossa nação escorraçada
criastes-me rei e senhor
para que tudo se sujeitasse à vontade da vossa lei
paristes o meu nome com alheia dor
arrancada às almas das quais vos alimentei
e todos os profetas que me precederam
anunciaram-me no verbo da eternidade
barricados no exercito que em meu nome fizeram
castraram o paraíso à humanidade
leal maria
Mostrar mensagens com a etiqueta deus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta deus. Mostrar todas as mensagens
domingo, 4 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Iemanjá do meu mar na terra do sonho
chega-me a noite de emboscada
trazendo o frio da sua escuridão
em que tua ausência se faz mais notada
no abismo do nada na minha mão
e percorro os cambiantes da solidão
ao encontro dos seus verbos de abandono
escritos a fogo no meu coração
pelos pesadelos que me povoam o sono
são vozes de murmurantes segredos
falando dialectos de enganos
um sentir que se tacteia na ponta dos dedos
num tempo que se não mede em dias ou anos
e no sonho que te dá corpo à existência
meu amor…
se encerra tudo o que em mim há de ciência
com que dor… com que dor…
sobre ela durmo… suportando-te a ausência
longo é-me o abraço de Morfeu
tarda sempre o libertador amanhecer
que furibundo deus a ti me uniu e prendeu
nesta maldição de nem em sonho te esquecer
transfiguraste-te numa etérea promessa
demanda minha em busco de um outro santo graal
religião de liturgias que criei à pressa
onde te impus como sacerdotisa de pureza virginal
e no sonho que te dá corpo à existência
meu amor…
se encerra tudo o que em mim há de ciência
com que dor… com que dor…
sobre ela durmo… suportando-te a ausência
leal maria
trazendo o frio da sua escuridão
em que tua ausência se faz mais notada
no abismo do nada na minha mão
e percorro os cambiantes da solidão
ao encontro dos seus verbos de abandono
escritos a fogo no meu coração
pelos pesadelos que me povoam o sono
são vozes de murmurantes segredos
falando dialectos de enganos
um sentir que se tacteia na ponta dos dedos
num tempo que se não mede em dias ou anos
e no sonho que te dá corpo à existência
meu amor…
se encerra tudo o que em mim há de ciência
com que dor… com que dor…
sobre ela durmo… suportando-te a ausência
longo é-me o abraço de Morfeu
tarda sempre o libertador amanhecer
que furibundo deus a ti me uniu e prendeu
nesta maldição de nem em sonho te esquecer
transfiguraste-te numa etérea promessa
demanda minha em busco de um outro santo graal
religião de liturgias que criei à pressa
onde te impus como sacerdotisa de pureza virginal
e no sonho que te dá corpo à existência
meu amor…
se encerra tudo o que em mim há de ciência
com que dor… com que dor…
sobre ela durmo… suportando-te a ausência
leal maria
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
violentas liturgias
as circunstâncias consomem-me os dias
devorando-me aos sonhos o sentido original
percorro o ilusório caminho das poesias
faço-me um deus para lá do bem e do mal
e as horas que aborto de um prazer desmedido
metamorfoseando o tempo num embaraço
barricam-me entre o que encontrei e o que tenho perdido
nas violentas noites em que de solidão me abraço
vejo nos corpos com quem permutei ilusões
contabilizadas as almas que logrei enganar
assaltam-me inquietudes em feéricas explosões
deslumbrado, vejo a destruição em mim de tanto amar
cinzentas; as ruas da minha cidade
pejadas de tantas gentes que a fazem deserta
matizam-se entre a indiferença e a saudade
e é para o pesadelo que o meu sonho desperta
nos passos apressados de quem de si se esquece
um burburinho de gente amansada é o que ouço
predador… sempre à espreita do que acontece
um ultimo e desesperado assalto àquele olhar não ouso
deixo-o estar no limbo para o qual remeto o divino
nesse paraíso feito da substância do sonhos
entre a glória grávida no gesto mais pequenino
e o violento rugir de batalha dos deuses medonhos
amantíssimo da força desmedida
o mais das vezes fornicando-a num leito de espanto
a surpresa com que me encontro no lado frágil da vida
amordaça-me em melodias de um triste encanto
sonho… sonho… sonho…
habito o vazio do que de nada se substância
altar de engano onde o meu holocausto ponho
em adoração a um demónio, que inocente; de nada sabia
leal maria
devorando-me aos sonhos o sentido original
percorro o ilusório caminho das poesias
faço-me um deus para lá do bem e do mal
e as horas que aborto de um prazer desmedido
metamorfoseando o tempo num embaraço
barricam-me entre o que encontrei e o que tenho perdido
nas violentas noites em que de solidão me abraço
vejo nos corpos com quem permutei ilusões
contabilizadas as almas que logrei enganar
assaltam-me inquietudes em feéricas explosões
deslumbrado, vejo a destruição em mim de tanto amar
cinzentas; as ruas da minha cidade
pejadas de tantas gentes que a fazem deserta
matizam-se entre a indiferença e a saudade
e é para o pesadelo que o meu sonho desperta
nos passos apressados de quem de si se esquece
um burburinho de gente amansada é o que ouço
predador… sempre à espreita do que acontece
um ultimo e desesperado assalto àquele olhar não ouso
deixo-o estar no limbo para o qual remeto o divino
nesse paraíso feito da substância do sonhos
entre a glória grávida no gesto mais pequenino
e o violento rugir de batalha dos deuses medonhos
amantíssimo da força desmedida
o mais das vezes fornicando-a num leito de espanto
a surpresa com que me encontro no lado frágil da vida
amordaça-me em melodias de um triste encanto
sonho… sonho… sonho…
habito o vazio do que de nada se substância
altar de engano onde o meu holocausto ponho
em adoração a um demónio, que inocente; de nada sabia
leal maria
sábado, 20 de dezembro de 2008
Eu, o principio do verbo que criastes
…mas eis que no cimo do altar, olhei e não vi
rio algum do mundo de mim derivar
nenhuma nascente em mim nascer
somente que esse mundo em mim vinha desaguar
e o espírito inquieto do argonauta se recolher
e com todas as perguntas que há a fazer
achei-me sem nenhuma resposta na bagagem
até as mais enraizadas ideias me começaram a morrer
e a verdade adiei-a para um ponto incerto da viagem
mas pediram-me verdades absolutas
quiseram-me saber o nome de ser Deus
e eu mais não fiz que lhes dar fratricidas lutas
ocultando-lhes que correm para o definitivo adeus
e da frágil argamassa com que os disse ter feito
fiz templos onde ordenei que me adorassem
marquei-os com diversos sinais no peito
e acentuei-lhes as diferenças para que se guerreassem
obedientes; assim fizeram como lhes ordenei
tragaram-se numa sanguinária autofagia
numa semântica enviesada que tomaram como lei
sacrificaram-me corpos despedaçados declamando poesia
mas eu nada lhes aceitei
fiquei ali inerte, como sempre o tinha feito
com as suas gorduras nem um grama engordei
e o meu frio mármore manteve-se perfeito
pouco me interessa que definhem iludidos
não me comovo com as suas lágrimas de dor
em nada me perturba esses inocentes perdidos
quando me imploram misericórdia com todo o ardor
em todo caso de nada lhes poderia valer
neste pedestal onde impassível os observo
outros me fizeram deus para melhor vos conter
nada pode alterar a fria natureza em que me conservo
mas… engano meu
sinto-me… sinto-me um deus que ensandeceu
aborrece-me esta plêiade obtusa de sacerdotes
ogres de barriga inchada com o que é meu
peço-vos que os façais combustível dos vossos archotes
vede a imensa má seara que pela terra semearam
estragada é a semente das suas retóricas arcaica e serôdias
porque foi em vão aquilo que com a fé buscaram
e o banquete prometido é um pão de duras côdeas
recuso desde já os nomes que me deram
nem Jeová; nem Alá; ou outro que me queiram dar
que nessa imagem em que me fizeram
criaram-vos como rebanho mansamente a pastar
está na hora de emancipar-vos do pastor
é tempo de fazer do tempo uma renovada descoberta
que o que importa no fundo é o amor
de quem em cada manhã vê o divino que desperta
e eu, que nada lhes aceitei
continuarei aqui inerte, como sempre o tenho feito
com as suas gorduras nem um grama engordarei
e o meu frio mármore manter-se-á perfeito…
leal maria
rio algum do mundo de mim derivar
nenhuma nascente em mim nascer
somente que esse mundo em mim vinha desaguar
e o espírito inquieto do argonauta se recolher
e com todas as perguntas que há a fazer
achei-me sem nenhuma resposta na bagagem
até as mais enraizadas ideias me começaram a morrer
e a verdade adiei-a para um ponto incerto da viagem
mas pediram-me verdades absolutas
quiseram-me saber o nome de ser Deus
e eu mais não fiz que lhes dar fratricidas lutas
ocultando-lhes que correm para o definitivo adeus
e da frágil argamassa com que os disse ter feito
fiz templos onde ordenei que me adorassem
marquei-os com diversos sinais no peito
e acentuei-lhes as diferenças para que se guerreassem
obedientes; assim fizeram como lhes ordenei
tragaram-se numa sanguinária autofagia
numa semântica enviesada que tomaram como lei
sacrificaram-me corpos despedaçados declamando poesia
mas eu nada lhes aceitei
fiquei ali inerte, como sempre o tinha feito
com as suas gorduras nem um grama engordei
e o meu frio mármore manteve-se perfeito
pouco me interessa que definhem iludidos
não me comovo com as suas lágrimas de dor
em nada me perturba esses inocentes perdidos
quando me imploram misericórdia com todo o ardor
em todo caso de nada lhes poderia valer
neste pedestal onde impassível os observo
outros me fizeram deus para melhor vos conter
nada pode alterar a fria natureza em que me conservo
mas… engano meu
sinto-me… sinto-me um deus que ensandeceu
aborrece-me esta plêiade obtusa de sacerdotes
ogres de barriga inchada com o que é meu
peço-vos que os façais combustível dos vossos archotes
vede a imensa má seara que pela terra semearam
estragada é a semente das suas retóricas arcaica e serôdias
porque foi em vão aquilo que com a fé buscaram
e o banquete prometido é um pão de duras côdeas
recuso desde já os nomes que me deram
nem Jeová; nem Alá; ou outro que me queiram dar
que nessa imagem em que me fizeram
criaram-vos como rebanho mansamente a pastar
está na hora de emancipar-vos do pastor
é tempo de fazer do tempo uma renovada descoberta
que o que importa no fundo é o amor
de quem em cada manhã vê o divino que desperta
e eu, que nada lhes aceitei
continuarei aqui inerte, como sempre o tenho feito
com as suas gorduras nem um grama engordarei
e o meu frio mármore manter-se-á perfeito…
leal maria
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
seara maldita
de quantos horizontes encurtados,
na curva ascendente da vida;
precisam eles que sejam ofertados,
para alcançar a terra prometida?
quantos gritos querem anunciados,
por quem no desespero se aprisionou?
por quantos corpos despedaçados,
eles acham que o céu se comprou?
férteis são os campos onde semeiam…
o ódio dá-lhes profícua semente!
e nas frustrações que os rodeiam,
amortalham-se na promessa do eternamente…
que estranha forma de amar?
que estranha forma de obedecer?
objectivos no indiscriminado matar…
esperam recompensa no morrer!?
que Deus é esse que veneram,
atribuindo-lhe um amor que não têm?
e o paraíso por que tanto esperam,
é erigido no ódio com que nos vêem?
piedosos de dentes arreganhados,
corroídos pelo que tanto invejam…
Dissimulam, dizendo-se enganados;
renegando o que secretamente mais desejam.
férteis são os campos onde semeiam…
o ódio dá-lhes profícua semente!
e nas frustrações que os rodeiam,
amortalham-se na promessa do eternamente…
leal maria
na curva ascendente da vida;
precisam eles que sejam ofertados,
para alcançar a terra prometida?
quantos gritos querem anunciados,
por quem no desespero se aprisionou?
por quantos corpos despedaçados,
eles acham que o céu se comprou?
férteis são os campos onde semeiam…
o ódio dá-lhes profícua semente!
e nas frustrações que os rodeiam,
amortalham-se na promessa do eternamente…
que estranha forma de amar?
que estranha forma de obedecer?
objectivos no indiscriminado matar…
esperam recompensa no morrer!?
que Deus é esse que veneram,
atribuindo-lhe um amor que não têm?
e o paraíso por que tanto esperam,
é erigido no ódio com que nos vêem?
piedosos de dentes arreganhados,
corroídos pelo que tanto invejam…
Dissimulam, dizendo-se enganados;
renegando o que secretamente mais desejam.
férteis são os campos onde semeiam…
o ódio dá-lhes profícua semente!
e nas frustrações que os rodeiam,
amortalham-se na promessa do eternamente…
leal maria
Subscrever:
Mensagens (Atom)