já tão frágil…
a memória que em mim há do teu olhar,
desvanece-se à força da minha vontade.
e os passos que dou,
já não são para te procurar;
e deixei de me chamar saudade…
mas sabes!?
é imenso o vazio que ocupa o espaço,
que eu te forço a abandonar.
e sinto, no profundo de mim, o abraço;
que envolve de frio o meu sonhar.
troquei as voltas aos desejos…
agarrei firme os instintos que me perdiam!
que o destino não se verga à força de beijos;
e o mundo não é dos que se refugiam…
e nos trilhos
que agora me indicam a direcção,
não lhes reconheço
nenhuma das geografias que em ti sonhei.
sigo caminho,
sem que nada agarre a minha mão;
e do destino que me espera, nada sei!
mas foi sempre assim que eu quis!
o incerto fazendo-se horizonte do meu futuro.
entre o gesto que tudo e nada diz.
coordenadas…
alternando-me entre a luminosidade e o escuro.
Leal maria
sábado, 22 de novembro de 2008
quando a primavera chegar...
para tudo há um termo
tudo atingirá um limite
haverá sempre um lugar mais ermo
que nem um ponto luz emite
então, o imaginário e o sensível
serão ilusórias substâncias
um diferente nível
pelas múltiplas circunstâncias
olhar-nos-emos até onde a vista alcança
chamar-lhe-emos horizontes
soçobrará a frágil esperança
for não saber-mos o que há p´ra lá dos montes
a espiral alucinada
nunca será circunferência
porque uma humanidade açaimada
torna vã, toda a ciência
e o que hoje parece infinito
inundar-se-á pelo finito
enchendo-nos de constrangimentos
o Homem sempre temeu os íntimos sentimentos
encerra-se e socorre-se em deuses castradores
na vã tentativa de se sonegar às dores
põe um sorriso no rosto,
olha o sol e segue em frente
não tarda está aí a Primavera.
o calor que me consome a alma já o sente
tudo atingirá um limite
haverá sempre um lugar mais ermo
que nem um ponto luz emite
então, o imaginário e o sensível
serão ilusórias substâncias
um diferente nível
pelas múltiplas circunstâncias
olhar-nos-emos até onde a vista alcança
chamar-lhe-emos horizontes
soçobrará a frágil esperança
for não saber-mos o que há p´ra lá dos montes
a espiral alucinada
nunca será circunferência
porque uma humanidade açaimada
torna vã, toda a ciência
e o que hoje parece infinito
inundar-se-á pelo finito
enchendo-nos de constrangimentos
o Homem sempre temeu os íntimos sentimentos
encerra-se e socorre-se em deuses castradores
na vã tentativa de se sonegar às dores
põe um sorriso no rosto,
olha o sol e segue em frente
não tarda está aí a Primavera.
o calor que me consome a alma já o sente
terça-feira, 18 de novembro de 2008
...nas mãos que fazem o abraço.
depois de tantos e tantos abraços,
falham-me agora as mãos,
para dar o abraço maior!
há sombras,
que me chegam em sorrateiros passos;
fazendo segredo
do mais ínfimo pormenor…
e o meu corpo;
tão saciado nos sentidos...
perde-se no sossego da minha alma.
e é em vão que busco uma razão
por entre achados e perdidos,
que me ferisse de ânsia toda esta calma.
não tenho pressa!
já não quero tanto lá estar…
naquele outro lugar…
será sempre longa a espera!
há outras quimeras a cortejar,
no perpétuo correr atrás da eterna primavera…
mas em tudo descubro o desejo,
que me faz levantar e no sonho persistir.
um poema;
um toque de lábio num beijo;
e uma alma embalada na abrupta viagem do ir…
aaah… e o regresso!
a doce amargura do reencontrar…
saber que mesmo com o mundo todo em mim possesso;
se mantém intacto o meu amar.
e no permanente jogo do azar com a sorte
ao sabor do meu querer nas suas diversas marés
a memória recusa que eu lhe dê a morte
porque sabe que dela preciso para saber onde apoio os pés…
olho e já não sei,
onde foi a partida e se vislumbra a chegada…
o incerto que se faz em mim lei,
não dá coisa nenhuma por acabada…
leal maria
falham-me agora as mãos,
para dar o abraço maior!
há sombras,
que me chegam em sorrateiros passos;
fazendo segredo
do mais ínfimo pormenor…
e o meu corpo;
tão saciado nos sentidos...
perde-se no sossego da minha alma.
e é em vão que busco uma razão
por entre achados e perdidos,
que me ferisse de ânsia toda esta calma.
não tenho pressa!
já não quero tanto lá estar…
naquele outro lugar…
será sempre longa a espera!
há outras quimeras a cortejar,
no perpétuo correr atrás da eterna primavera…
mas em tudo descubro o desejo,
que me faz levantar e no sonho persistir.
um poema;
um toque de lábio num beijo;
e uma alma embalada na abrupta viagem do ir…
aaah… e o regresso!
a doce amargura do reencontrar…
saber que mesmo com o mundo todo em mim possesso;
se mantém intacto o meu amar.
e no permanente jogo do azar com a sorte
ao sabor do meu querer nas suas diversas marés
a memória recusa que eu lhe dê a morte
porque sabe que dela preciso para saber onde apoio os pés…
olho e já não sei,
onde foi a partida e se vislumbra a chegada…
o incerto que se faz em mim lei,
não dá coisa nenhuma por acabada…
leal maria
domingo, 16 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
o ensurdecedor silêncio do que fica por dizer...
eram ainda tantas as coisas
que havia a dizer...
nas palavras que no silêncio amordaçamos.
mas no sonho,
que quis o acaso que houvera-mos de ter,
traímos o juramento em que nos empenhamos.
juntos; percorremos caminhos
que outros tão cobardemente abandonaram…
mas no fim,
achamo-nos tão sozinhos,
que já nem a nós próprios
os sonhos se justificaram.
mas que raio…!
afinal, tivemos na mão a vontade,
com que num imenso querer,
segurávamos o mundo.
fizemos aos repelões
fragmentos da ideal cidade;
entre os corpos sentidos,
num improvável amor profundo.
mas o teu corpo amansou
nesses mimos a que te deste.
definhou na doçura
das coisas dadas de mão beijada.
e eu deixei-me embalar,
por esse suave canto que me fizeste;
fazendo do irrisório,
coisa por mim muito desejada.
mas isso agora acabou!
ouço já os novos cantos que me chamam!
e nesse lugar para onde agora vou,
há dialécticas que a alma me inflamam!
deixo-te aí…
nessa prisão em que te meteste.
nesse deserto…
por entre frases tão vazias de conteúdo
porque da loucura que me prometeste
somente me resta a poeira de um sentir miúdo
mas não chores… nada lamentes!
há sempre um fim,
que impaciente, esperava um começo.
não sei o que hoje deveras sentes!
mas do teu corpo à minha palavra,
vai uma distância que de todo desconheço...
leal maria
que havia a dizer...
nas palavras que no silêncio amordaçamos.
mas no sonho,
que quis o acaso que houvera-mos de ter,
traímos o juramento em que nos empenhamos.
juntos; percorremos caminhos
que outros tão cobardemente abandonaram…
mas no fim,
achamo-nos tão sozinhos,
que já nem a nós próprios
os sonhos se justificaram.
mas que raio…!
afinal, tivemos na mão a vontade,
com que num imenso querer,
segurávamos o mundo.
fizemos aos repelões
fragmentos da ideal cidade;
entre os corpos sentidos,
num improvável amor profundo.
mas o teu corpo amansou
nesses mimos a que te deste.
definhou na doçura
das coisas dadas de mão beijada.
e eu deixei-me embalar,
por esse suave canto que me fizeste;
fazendo do irrisório,
coisa por mim muito desejada.
mas isso agora acabou!
ouço já os novos cantos que me chamam!
e nesse lugar para onde agora vou,
há dialécticas que a alma me inflamam!
deixo-te aí…
nessa prisão em que te meteste.
nesse deserto…
por entre frases tão vazias de conteúdo
porque da loucura que me prometeste
somente me resta a poeira de um sentir miúdo
mas não chores… nada lamentes!
há sempre um fim,
que impaciente, esperava um começo.
não sei o que hoje deveras sentes!
mas do teu corpo à minha palavra,
vai uma distância que de todo desconheço...
leal maria
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
...o caminho que medeia um abraço e um beijo.
a meio do caminho,
entre um abraço e um beijo,
matei,
por momentos, a vontade de ti me servir…
olhei e vi-me sozinho…
tão longe desse teu desejo…
que não sei se me afastei ou algo me fez fugir!
quantas hesitações
antecedem o tempo em que nos damos?
que sonhos esperamos encontrar
neste despojar de nós?
permutamos os corpos
como um salvo-conduto para onde vamos;
e faz-nos correr o medo que temos de ficarmos sós…
essa mão,
que tremendo me estendes,
provoca-me uma covardia
que me impele a agarrar-te!
não desperdices essa lágrima e vê se entendes;
o quanto me fragiliza
a intensidade do meu amar-te.
apenas uma ínfima parte de mim
é a que te dou!
regateio
cada pedaço d´alma que me vens tirar!
no entanto,
sinto que me tens em ti muito mais do que eu sou…
e isso é muito mais do que eu te queria dar!
mas na relutância
com que me entrego a essa escravidão;
encontro os grilhões que me ancoram à liberdade…
todo um universo unido
no agarrar da minha e tua mão,
justificado no teu olhar
a brilhar de antecipada saudade…
leal maria
entre um abraço e um beijo,
matei,
por momentos, a vontade de ti me servir…
olhei e vi-me sozinho…
tão longe desse teu desejo…
que não sei se me afastei ou algo me fez fugir!
quantas hesitações
antecedem o tempo em que nos damos?
que sonhos esperamos encontrar
neste despojar de nós?
permutamos os corpos
como um salvo-conduto para onde vamos;
e faz-nos correr o medo que temos de ficarmos sós…
essa mão,
que tremendo me estendes,
provoca-me uma covardia
que me impele a agarrar-te!
não desperdices essa lágrima e vê se entendes;
o quanto me fragiliza
a intensidade do meu amar-te.
apenas uma ínfima parte de mim
é a que te dou!
regateio
cada pedaço d´alma que me vens tirar!
no entanto,
sinto que me tens em ti muito mais do que eu sou…
e isso é muito mais do que eu te queria dar!
mas na relutância
com que me entrego a essa escravidão;
encontro os grilhões que me ancoram à liberdade…
todo um universo unido
no agarrar da minha e tua mão,
justificado no teu olhar
a brilhar de antecipada saudade…
leal maria
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
...passo além dessas vacuidades!
no emaranhado das frases feitas,
de sentido adulterado;
anseio realidades que julgo mais perfeitas;
vou-me para outro lado...
passo além de todas essas vacuidades!
procuro afoito uma outra razão!
em que o tempo, marca o passado a saudades;
e o rumo do futuro desenha-se no suor da minha mão.
regresso desses caminhos tão desertos,
que a permanente insatisfação me fez buscar.
andei à deriva em tantos afectos,
nesta minha ânsia de tudo querer amar.
procuro agora o essencial;
onde o acessório não me faça a necessidade.
para lá de uma noção do bem ou do mal,
regresso à fisionomia d´alma que me faz identidade.
e no novo leito em que me deitar,
cobrir-me-ei com a vontade;
de quem faz a sua própria lei,
no egoísmo sentido de uma antiga lealdade.
parto à conquista da maior idade;
onde não se desperdiça o dia a dia.
busco uma outra musicalidade;
em que a palavra,
não prescinde da sublimação da poesia.
serei o completo “eu”;
subtraído às mil e uma minudências do mundo!
e nesse desejo maior que é o meu;
viverei a vida como no fogo fátuo de um sonho profundo…
leal maria
de sentido adulterado;
anseio realidades que julgo mais perfeitas;
vou-me para outro lado...
passo além de todas essas vacuidades!
procuro afoito uma outra razão!
em que o tempo, marca o passado a saudades;
e o rumo do futuro desenha-se no suor da minha mão.
regresso desses caminhos tão desertos,
que a permanente insatisfação me fez buscar.
andei à deriva em tantos afectos,
nesta minha ânsia de tudo querer amar.
procuro agora o essencial;
onde o acessório não me faça a necessidade.
para lá de uma noção do bem ou do mal,
regresso à fisionomia d´alma que me faz identidade.
e no novo leito em que me deitar,
cobrir-me-ei com a vontade;
de quem faz a sua própria lei,
no egoísmo sentido de uma antiga lealdade.
parto à conquista da maior idade;
onde não se desperdiça o dia a dia.
busco uma outra musicalidade;
em que a palavra,
não prescinde da sublimação da poesia.
serei o completo “eu”;
subtraído às mil e uma minudências do mundo!
e nesse desejo maior que é o meu;
viverei a vida como no fogo fátuo de um sonho profundo…
leal maria
...
um novo rumo; um novo recomeço
para trás deixo à espera a memória
porque o que fui não esqueço
e eu sou tudo aquilo que se fez a minha história
esse caminho que agora enceto
não é mais do que a continuação dos que já fiz
porque tenho o longe e o perto
na raiz dos sonhos que eu sonhar quis
e os sentidos enganam-me a cronologia
baralhando o passado com os futuros
esculpem-me no desejo a ancestral geografia
e à vontade dão-me a força para derrubar todos os muros
e tu,
aí tão escondida na minha conveniência
sempre à espreita de uma oportunidade
complicas-me essa tão aparente simples ciência
que é eu fazer-te de mim ausente; dura e doce saudade
mas deixo para trás o que para trás ficou
tenho ali outros mundos para habitar
porque o sonho modifica-se mas ainda não soçobrou
e eu aqui parado recuso-me a ficar
não digo mais nenhum adeus
foram tantos na minha vida que já me bastam
todos os que acenei assumo como meus
e mesmo assim as quimeras ainda me arrastam
para quê então as despedidas
lágrimas sempre as haverá
haja um adeus ou não
prefiro a perpétua busca das coisas perdidas
do que ver vazio de esperança o meu coração
seja feita a minha vontade então!!
leal maria
para trás deixo à espera a memória
porque o que fui não esqueço
e eu sou tudo aquilo que se fez a minha história
esse caminho que agora enceto
não é mais do que a continuação dos que já fiz
porque tenho o longe e o perto
na raiz dos sonhos que eu sonhar quis
e os sentidos enganam-me a cronologia
baralhando o passado com os futuros
esculpem-me no desejo a ancestral geografia
e à vontade dão-me a força para derrubar todos os muros
e tu,
aí tão escondida na minha conveniência
sempre à espreita de uma oportunidade
complicas-me essa tão aparente simples ciência
que é eu fazer-te de mim ausente; dura e doce saudade
mas deixo para trás o que para trás ficou
tenho ali outros mundos para habitar
porque o sonho modifica-se mas ainda não soçobrou
e eu aqui parado recuso-me a ficar
não digo mais nenhum adeus
foram tantos na minha vida que já me bastam
todos os que acenei assumo como meus
e mesmo assim as quimeras ainda me arrastam
para quê então as despedidas
lágrimas sempre as haverá
haja um adeus ou não
prefiro a perpétua busca das coisas perdidas
do que ver vazio de esperança o meu coração
seja feita a minha vontade então!!
leal maria
...
foste o poema primeiro,
que em mim criou
emoções com forma e espaço.
dando um corpo de palavra
aos meus sonhos;
e trazendo-me os desejos medonhos,
das almas e corpos
irmanados num universal abraço.
tudo no universo se desvanece…
somos apenas cósmica poeira
à deriva no espaço sideral!
mas a palavra perdurará
para além do que de imediato acontece;
e o ridículo do que se disse
perder-se-à com a ingenuidade original.
por isso te invisto
com a dignidade de seres o primeiro.
porque em ti há a minha vida toda
feita num imediato impulso!
sou eu na minha natureza por inteiro;
procurando os paraísos,
de onde nenhum homem seja expulso…
mas hoje, ao recordar-te…
enfim; rever-te!
vejo-te como o princípio de um imenso adeus.
porque pelo sonho que és,
é perpetuo o meu querer-te!
e tudo posso perder,
mas os sonhos,
esses, serão sempre meus!
e quando,
no porvir do inexorável tempo,
o rosto que te deu origem;
começar a desvanecer-se
da memória do meu sentimento;
ficará a palavra então tão virgem;
deixando para a eternidade,
a poética imensidão de um perfeito momento…
leal maria
que em mim criou
emoções com forma e espaço.
dando um corpo de palavra
aos meus sonhos;
e trazendo-me os desejos medonhos,
das almas e corpos
irmanados num universal abraço.
tudo no universo se desvanece…
somos apenas cósmica poeira
à deriva no espaço sideral!
mas a palavra perdurará
para além do que de imediato acontece;
e o ridículo do que se disse
perder-se-à com a ingenuidade original.
por isso te invisto
com a dignidade de seres o primeiro.
porque em ti há a minha vida toda
feita num imediato impulso!
sou eu na minha natureza por inteiro;
procurando os paraísos,
de onde nenhum homem seja expulso…
mas hoje, ao recordar-te…
enfim; rever-te!
vejo-te como o princípio de um imenso adeus.
porque pelo sonho que és,
é perpetuo o meu querer-te!
e tudo posso perder,
mas os sonhos,
esses, serão sempre meus!
e quando,
no porvir do inexorável tempo,
o rosto que te deu origem;
começar a desvanecer-se
da memória do meu sentimento;
ficará a palavra então tão virgem;
deixando para a eternidade,
a poética imensidão de um perfeito momento…
leal maria
domingo, 2 de novembro de 2008
...
a vontade amordaçada na minha mão
esperando a justa razão
que me fará levantar deste chão
quando a fúria não for em vão
neste chão em que me deito
com o desejo ardendo dentro de mim
libertar-se-me-á o grito dentro do peito
onde principiará o esperado fim
e tu, já no desespero pela longa espera
com o olhar definhando de tão vazio
nos escombros, tentas vislumbrar a nova era
dos renovados tempos que eu te anuncio
mas espera um pouco mais
ainda não é chegada a hora
só mais uns quantos lamentos e “ais”
para que possamos ir embora
caminharemos unidos
numa improvável irmandade
com os lábios cerrados na força do desejo
seremos o vento que passa
vergando tudo à sua vontade
e a destruição será o nosso apaixonado beijo
numa imposição, como as outras tão injusta
a novos dogmas farei ver a luz do dia
numa prepotência que em mim é tão vetusta
tudo será conforme a minha filosofia
seja feita a minha injusta vontade
assim na terra como na tua alma
tempos haverá
em que dos pretéritos tempos terás saudade
porque trarei a tempestade à tua mareação calma
leal maria
esperando a justa razão
que me fará levantar deste chão
quando a fúria não for em vão
neste chão em que me deito
com o desejo ardendo dentro de mim
libertar-se-me-á o grito dentro do peito
onde principiará o esperado fim
e tu, já no desespero pela longa espera
com o olhar definhando de tão vazio
nos escombros, tentas vislumbrar a nova era
dos renovados tempos que eu te anuncio
mas espera um pouco mais
ainda não é chegada a hora
só mais uns quantos lamentos e “ais”
para que possamos ir embora
caminharemos unidos
numa improvável irmandade
com os lábios cerrados na força do desejo
seremos o vento que passa
vergando tudo à sua vontade
e a destruição será o nosso apaixonado beijo
numa imposição, como as outras tão injusta
a novos dogmas farei ver a luz do dia
numa prepotência que em mim é tão vetusta
tudo será conforme a minha filosofia
seja feita a minha injusta vontade
assim na terra como na tua alma
tempos haverá
em que dos pretéritos tempos terás saudade
porque trarei a tempestade à tua mareação calma
leal maria
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