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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Recriação fora do paraíso (variação do poema também de minha autoria: Nascimento de Deus )

ergo-me em majestade
de um milenar fogo em que me imolei
e é num templo de mentira sobre a verdade
que afoito, me recriei

para trás ficaram caminhos que percorri
pejado com as fúrias dos meus antigos semblantes
com amargos sorrisos que de novo os senti
no meu corpo decepado aos prazeres dos amantes

mas recriei-me de tudo senhor
para que a minha vontade seja a única lei
parida com recurso a alheia dor
arrancada às almas das quais me alimentei

vi-me anunciado num verbo de eternidade
em todas as profecias que me precederam
castrei-me às hostes da humanidade
ao criar uma lápide onde o meu nome escreveram

e os meus desejos feitos nestas simples alquimias
tremem no periclitante pedestal onde se sustêm
tenho a alma amordaçada em poesias
e é cheio de vazio o amor que elas em segredo contêm


leal maria

domingo, 4 de janeiro de 2009

O nascimento de Deus

ergui-me em toda a minha majestade
do milenar fogo em que me imolastes
e foi num templo de mentira sobre a verdade
que vós, loucos, tão afoitos me criastes

aplanastes os caminhos que percorri
destes novas fúrias aos meus semblantes
foi com amargos sorrisos que eu vos vi
castrar aos corpos as esperanças dos amantes

e com as vossas simples alquimias
fizestes dos silêncios uma espada afiada
lançastes a morte à palavra esculpida das poesias
a liberdade foi da vossa nação escorraçada

criastes-me rei e senhor
para que tudo se sujeitasse à vontade da vossa lei
paristes o meu nome com alheia dor
arrancada às almas das quais vos alimentei

e todos os profetas que me precederam
anunciaram-me no verbo da eternidade
barricados no exercito que em meu nome fizeram
castraram o paraíso à humanidade





leal maria

sábado, 6 de dezembro de 2008

a sombra das palavras

as palavras,
já gastas pelo tempo;
esbatem-se nas sombras do que senti.
e na impossível memória
do sentimento,
folheio em parágrafos
o sonho do qual fugi.

sentado…
à espera não sei bem de quê…
olho o caminho…
nada nele se anuncia!
nem quando…
nem como…
porquê...?
que é feito do desejo
que então em mim havia?

passam e não lhes ligo.
ignoro as promessas de novas verdades.
Incomplacentes;
cruas;
aprisionam-me as saudades…

deixo-me ficar!
expectante
no que já tomei como certo.
paradoxo
em que me deixo enredar;
pelo conforto de um coração deserto.

mas algo se move em mim!
há uma inquietude
que me substancia .
não… não é ainda o fim!
surgir-me-ão novas palavras...
esculpirei nelas mais uma poesia!



leal maria

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

fragmentos

Fragmentos…
gestos contidos contra a minha vontade
uma mal disfarçada verdade
o silêncio em que tudo digo sem nada dizer
um claro dia que principia a escurecer

meus passos sem um destino preciso
a causa na qual empenhei a alma
o código que mantenho omisso
a melodia embalando-me a tarde calma

a fúria que me turva o discernimento
a violência na minha mão alojada
a palavra que me dá corpo ao sentimento
o corpo da mulher amada

um sorriso fazendo-me feliz o dia
o sentido da vida num simples abraço
o segredo escondido na poesia
o tempo amordaçando-me com o seu laço

a imprescindível conversa que adiei
as batalhas nas quais combati
o sagrado que em vão busquei
o improvável amor que então senti

a memória de uma fraterna amizade
a circunstância sonegando-me o beijo
a fisionomia da intensa saudade
o delito de um inconfessável desejo

a sombra anunciando-me a companhia
o trilho que vou partilhando
o horizonte que o futuro então me prometia
o rosto que afinal continuo amando

…fragmentos!!



leal maria

sábado, 22 de novembro de 2008

…o incerto na linha do horizonte

já tão frágil…
a memória que em mim há do teu olhar,
desvanece-se à força da minha vontade.
e os passos que dou,
já não são para te procurar;
e deixei de me chamar saudade…

mas sabes!?
é imenso o vazio que ocupa o espaço,
que eu te forço a abandonar.
e sinto, no profundo de mim, o abraço;
que envolve de frio o meu sonhar.

troquei as voltas aos desejos…
agarrei firme os instintos que me perdiam!
que o destino não se verga à força de beijos;
e o mundo não é dos que se refugiam…

e nos trilhos
que agora me indicam a direcção,
não lhes reconheço
nenhuma das geografias que em ti sonhei.
sigo caminho,
sem que nada agarre a minha mão;
e do destino que me espera, nada sei!

mas foi sempre assim que eu quis!
o incerto fazendo-se horizonte do meu futuro.
entre o gesto que tudo e nada diz.
coordenadas…
alternando-me entre a luminosidade e o escuro.




Leal maria