sábado, 21 de janeiro de 2023
nessas tuas delicadas mãos com cheiro de aconchego
domingo, 4 de dezembro de 2022
sangue
encarnado
a fugir à côr do vinho carrascão
assim é o sangue
na guerra vertido em profusão
concreto, literal e expremido à dor
pretendem-no sagrado
necessário unguento redentor
justificando cada corpo tombado
e ainda que aos cadáveres agora dele esvaídos
nenhuma metáfora lhes valha
não há demanda ideológica sem o seu quinhão de caídos
recorrente mão d'obra à disposição da mais reles escumalha
impetuosos e galantes generais
aspirando à inscrição nos livros da história
alicerçada a ambição na podridão dos demais
têm-se como merecedores de serem alçados à glória
e tu, satisfaz-lhes as vís vontades
alimentas-te nas suas enviesadas ideologias
tolo prosélito
a seu mando assediando cidades
semeando a triste morte onde houvera de crescer vida e alegrias
nas suas bem apetrechadas casernas
na elegância cerimonial dos seus palácios sumptuosos
congeminam embrutecer-te Homem das cavernas
requerendo de carne despida os teus ossos
são eles a essencial estrutura
dos projectos desses contra a humanidade mancomunados
horrenda arquitetura
de uma sociedade onde uns dominam e outros são dominados
e tu, satisfaz-lhes as vís vontades
alimentas-te nas suas enviesadas ideologias
tolo prosélito
a seu mando assediando cidades
semeando a triste morte onde houvera de crescer vida e alegrias
leal maria
terça-feira, 21 de junho de 2022
do pai, para beatriz:
pequena porção de vida
o ainda disforme como epítome da humanidade
descoordenada coreografia de recém-nascida
génese em mim
de incondicional amor
por tão poderosa fragilidade
foram-se as trancinhas no cabelo
eterna menina à minha revelia metamorfoseada em mulher
perdurarás paradigma do belo
minha vontade somar-se-á ao que a tua quiser
leal maria
domingo, 14 de abril de 2013
lavrador
nada há de espesso
nas miríades de palavras lavradas em vão
reconheço existir razão maior
(erra quem o considerar um pormenor)
no cavar a terra e emprenhar o chão
nos ofícios há o concreto
e a óbvia mais-valia
nas palavras
somente o pretensamente secreto
quando a inconfessável vaidade
ornamenta a prosa de poesia
mesmo um grande amor
quando nas palavras plasmado
não passa de um metamorfosear da paixão em dor
lamuriante e lamentável ritual de apaixonado
nocivo alimento
da eternização deste sentido em meu peito
arquitectura fundeada em oníricos ideais
sentimento adulterado pelo que tem de tão imperfeito
desejar com esperança o que satisfeito será jamais
sim, confesso
sou legitimo alvo desse dedo acusador em riste
somente peço
que o orgulho complemente a minha fisionomia algo triste
orgulho sim
é licito o meu crime porque o cometi convicto
sem outro intuito de que me declarar no fim
ser impossível ter-me mantido invicto
vencido já o era antes de o ser
quando couraçado no querer tanto querer
tão voluntariosamente parti para esta “guerra”
tão mais simples seria ao invés de palavras, lavrar a terra
leal maria
domingo, 21 de outubro de 2012
o corpo o suor e o sal (a dança)
domingo, 14 de outubro de 2012
oculto
domingo, 30 de setembro de 2012
ao cuidado de V. Exas. deste Vosso...
alavancados em vontade de aço,
cavemo-las então companheiros, as sepulturas;