terça-feira, 14 de abril de 2009

Nova Israel

o gesto…
o singelo e ténue sinal que afinal não vem
o desejado dialecto
a minha infrutífera espera de alguém

e o desespero
nele me consumindo em todo o acto
o sonho que ainda espero
à revelia da esperança esmagada pelo facto

mas quero dançar com a loucura
quero diluir-me no vento
entre o gemido de prazer e a palavra de ternura
quero o alucinar no sentimento

apodero-me de todo o corpo como uma maldição
entre o desejo e o divino pecado
o olhar o céu e o beijar o chão
trilho o caminho que ainda não foi rebelado

que interessa a ausência
no fundo a carne não é mais que o fim adiado
e de nada lhe valerá toda a ciência
se não se substanciar no que é sonhado

nos corpos onde meu sémen depositei
nascerão nações de nome incerto
e aquele que nelas germinar será rei
sem ter que atravessar nenhum deserto

reinará sobre as suas coisas diversas
de címbalos, em sua honra, ecoarão belas melodias
administrará com justiça as acções perversas
e os súbitos cantar-lhe-ão belas poesias

intitular-se-á deus trota-mundos
os céus fundir-se-ão em turbilhão com a terra
e dos abismos mais profundos
vociferarão os medonhos gritos da minha derradeira guerra

então, depois, descansarei
olhar-te-ei bem lá no fundo das minhas memórias
e o teu nome também eu o escreverei
e aí, sim… será o culminar de todas as histórias



leal maria

2 comentários:

Sílvia disse...

Olá!! Hoje decidi comentar... deixar uma marca de que vou acompanhando o que escreves. E muito bem! Vou passando... beijinhos

~J disse...

Olá!
Desculpa não ter respondido antes mas não sabia como responder às tuas palavras.
é engraçado como arranjas os poemas para os meus desenhos/pinturas :)

Aquela pintura foi com acrílico. Fico tão grata pelo que me dizes, a sério. Mas há tanto que tenho na cabeça e ainda não consigo passar para papel..
Acho que sou muito nova e, talvez, um pouco fresca para ir já para uma editora :|... é o que sinto... mas tenho ideias e quero ver se começo a fazer uso delas.

O que queria dizer era que a memória não nos basta a maior parte das vezes... destrói-se e emaranha-se com o tempo...perde-se lentamente...torna-se insuficiente...