sábado, 18 de abril de 2009

Anarquia

tudo agora nos invade
tudo nos impele para o imediato instante
tão para cá da mais óbvia verdade
sempre com a necessidade
de uma tosca retórica que nos levante

a alma foi-nos esquartejada
ao corpo vendemo-lo por dá cá aquele sentir
a quimera foi à força forjada
e o vã motivo no abismo nos fez cair

agora
é tempo de ver voar as pedras da calçada
as fúrias habitando todos os rostos
a insanidade no poema anunciada
os anarcas de sentinela em todos os postos

às aldeias vilas e cidades
alimentá-las-emos com a substancia da poesia
serão o ventre onde germinarão as vontades
e nelas reinará a imprevisível anarquia

vem comigo meu amigo
há muito cantamos todas as canções
chegou o tempo de conseguirmos o que persigo
é tempo de deixar ribombar os trovões

a matilha encontra-se desprevenida
sôfregos
empenham-se em cravar ainda mais os dentes
pouco lhes interessa a vida que é destruída
não querem saber da indignação que sentes

por isso vocifera toda a tua raiva
e rejeita resoluto
todo o dogma onde te querem espartilhar
o velho governar está devoluto
é tempo de o nosso querer reinar

o substantivo o adjectivo e o verbo
serão os pilares desta nossa nova ordem
ninguém de ninguém será servo
nem deixaremos que deste sonho nos acordem

que podem eles se lhes dizer-mos: não!?
que podem eles fazer-nos se de nós somos senhor?!
nosso pai é o singelo e ensanguentado chão
retribuiremos o ódio com ódio e amor com amor


vem comigo amigo
não é novo o tempo que chama por nós
são promessas de justiça que há muito persigo
o sonho e o desejo de que sejamos a sua voz


leal maria

3 comentários:

Renato L disse...

Tens uns poemas muito bons!!! Gostei particularmente deste, embora os outros que li tambem sejam muito bons!!

Continua com o bom trabalho!! Abraço"!

leal maria disse...

Obrigado!! Anarca??

pedras contra canhões disse...

Eu não sou anarquista - sou comunista, mas o poema agrada na mesma. não conhecia o teu blog mas vou tentar apanhá-lo mais vezes.

e no entanto, que outro caminho para a anarquia, senão o do socialismo?

boa poesia!