caminha as ruas da cidade,
na firmeza periclitante dos muitos anos que por ela passaram.
não! não sabe a idade!
deixou de os contar quando não mais lhe importaram…
se alguma vez lhe brilhou o olhar,
em ninguém se encontra essa memória.
sempre o mesmo pardacento e eterno definhar,
de quem segue um destino de natureza aleatória.
os filhos que teve; há muito os esqueceu!
de toda a sua vida tenta fazer tábua rasa.
o amor, de tanto lhe fugir, morreu…
e o frio da noite no corpo e na alma a arrasa.
exige esmola aos incautos que passam,
estendendo-lhes a bandeja enrugada da sua mão aberta.
e as humilhações que ainda a abraçam,
há muito que nem a raiva lhe desperta.
o ódio a quem se nutriu com a fome da sua miséria,
diluiu-se nas outras misérias que a fome lhe perpetuou.
e os dias contados em rezas à sua santa Quitéria,
perderam-se com a fé que tanto a enganou.
vai dormir com o estômago ludibriado,
deitando-se em cama de cartão feita num vão de escada.
enroscando-se como um bicho assustado,
na vã tentativa de proteger a vida há muito acabada.
seu nome? não interessa!
Eugénia; Maria; Joaquina;… que importa!?
todos nós temos tanta pressa…
tomemo-la já como morta!
leal maria
sábado, 25 de outubro de 2008
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