procuro entre a multidão
um rosto um olhar um poema
procuro uma essencial canção
a melodia de um perfeito fonema
busco algo mais
mas no fundo não sei o que é
um outro mundo para ser descoberto
o meio termo entre o longe e o perto
uma enchente de maré
quero um verbo
que me dê sentido ao verso
o egoísmo
num corpo ardente de desejo
a mais ínfima partícula
do primordial átomo do universo
ser todo o lábio
que saboreia um beijo
peço fé
e a couraça da imensa coragem
o intuir do rumo o prosseguir da viagem
a ilusão de quem só vê no mundo encantos
ser amantíssimo dos medos e dos espantos
quero o azul do mar
quero a linha do horizonte
ser o estratega da final batalha
a profecia que nunca falha
fresca água de toda a fonte
quero deitar-me com a mentira e a verdade
fazer um filho ao firmamento
quero a dor da saudade
quero a imortalidade do sentimento
quero a graciosidade e a valentia do equídeo Buçéfalo
ser o espartano o escudo o elmo e a espada
o mítico grifo bicéfalo
ser um novo César de cabeça laureada
quero ser Alexandre ser Napoleão
O Gama em demanda da índia num caminho d´águas
legionário de sétima legião
a lágrima que revela as mais secretas mágoas
quero ser o tudo e o nada
o aleatório entre o azar e a boa sorte
quero ser a obra inacabada
estar p´ra lá da vida e da morte
esventro-me na alma à procura da revelação premonitória
procuro a eternidade nas vãs efemérides da história
leal maria
sábado, 4 de abril de 2009
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