domingo, 28 de setembro de 2008

ingenuidade

os deuses
que vais resgatar às tuas ilusões
vincula-los a uma humana doçura
e no proselitismo dessas tuas ilusões
desejas um mundo onde reine a ternura

eu
recuso essa mão que me estendes
apeio-me dessa tua fantasia
vê lá se me entendes
o sonho em mim morreu e disfarçou-se de poesia.



leal maria

despedida

é tempo de te libertar
dar-te o definitivo adeus
que os teus sonhos vás sonhar
eu ao perder-te
já sonhei mais de metade dos meus



leal maria

sem compromisso

quero ver um pássaro voar
sem que isso não me dê mais que o prazer
de ver-lhe a elegância do planar
e a distância vencer

a liberdade
de dar um grito só para me fazer ouvir.
sem amor ou saudade,
que na alma me andem a zurzir.


leal maria

sábado, 30 de agosto de 2008

chega o outono

entre o outono que se anuncia
e a primavera que passou
devoramos todas as ilusões que havia
num verão que perfeito se sonhou

houve lágrimas e houve gritos
sorrisos em orgias de muitos abraços
sôfregos beijos
de paixão tão aflitos
na areia
a marca dos nossos passos

nas árvores
as folhas
principiaram o seu voo de morte

 
 
leal maria

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

regresso

o cansaço
fim da jornada concluída
sem o reconforto de um abraço
apenas o retomar da vida

mal ou bem
regressei
numa confusão de emoções amontoadas
é este um cais igual a tantos onde aportei
são já de despedida
os gestos nas mãos para mim levantadas




leal maria

tarde de verão junto ao rio

o sol
num bailado morno
filtrado por entre meus dedos
jogo de paciências
no fruir de um dia claro e sem segredos

semicerro o olhar
filtro esta luminosidade languescente
de um verão que persiste em ficar
e à própria cronologia dos Homens mente

as doces águas deste rio
murmuram-me
tentando convencer-me da sua pureza

não lhes presto atenção
ocupado que estou
a representar aquilo que não sou
castrando-me à minha própria natureza…


leal maria

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

reflexo

a vida como que um espelho;
a passagem do tempo nele reflectido.
quase velho
e tanta coisa não faz ainda sentido.

fugidios instantes,
memória numa miríade de cores.
sentires de antes,
as mesmas dores.





leal maria

terça-feira, 15 de julho de 2008

teoria do caos

em vão me resgato ao sonho,
que tão violento em mim emerge,
não há harmonia unindo o caos
pelo qual a minha alma se rege


leal maria

domingo, 13 de julho de 2008

desejos

enredado nas contradições,
escravo do desejo
aceito as condições
que o lábio impõe ao ofertar o beijo

leal maria

terça-feira, 8 de julho de 2008

poeira

socorri-me de corpos à minha alma tão alheios
despojei-me de tudo o que tinha
amores de fingimento tão cheios
exaurindo-me para o que aí vinha

chegaste
e nada tenho para te ar

leal maria