sábado, 30 de agosto de 2008

chega o outono

entre o outono que se anuncia
e a primavera que passou
devoramos todas as ilusões que havia
num verão que perfeito se sonhou

houve lágrimas e houve gritos
sorrisos em orgias de muitos abraços
sôfregos beijos
de paixão tão aflitos
na areia
a marca dos nossos passos

nas árvores
as folhas
principiaram o seu voo de morte

 
 
leal maria

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

regresso

o cansaço
fim da jornada concluída
sem o reconforto de um abraço
apenas o retomar da vida

mal ou bem
regressei
numa confusão de emoções amontoadas
é este um cais igual a tantos onde aportei
são já de despedida
os gestos nas mãos para mim levantadas




leal maria

tarde de verão junto ao rio

o sol
num bailado morno
filtrado por entre meus dedos
jogo de paciências
no fruir de um dia claro e sem segredos

semicerro o olhar
filtro esta luminosidade languescente
de um verão que persiste em ficar
e à própria cronologia dos Homens mente

as doces águas deste rio
murmuram-me
tentando convencer-me da sua pureza

não lhes presto atenção
ocupado que estou
a representar aquilo que não sou
castrando-me à minha própria natureza…


leal maria

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

reflexo

a vida como que um espelho;
a passagem do tempo nele reflectido.
quase velho
e tanta coisa não faz ainda sentido.

fugidios instantes,
memória numa miríade de cores.
sentires de antes,
as mesmas dores.





leal maria

terça-feira, 15 de julho de 2008

teoria do caos

em vão me resgato ao sonho,
que tão violento em mim emerge,
não há harmonia unindo o caos
pelo qual a minha alma se rege


leal maria

domingo, 13 de julho de 2008

desejos

enredado nas contradições,
escravo do desejo
aceito as condições
que o lábio impõe ao ofertar o beijo

leal maria

terça-feira, 8 de julho de 2008

poeira

socorri-me de corpos à minha alma tão alheios
despojei-me de tudo o que tinha
amores de fingimento tão cheios
exaurindo-me para o que aí vinha

chegaste
e nada tenho para te ar

leal maria

quarta-feira, 2 de julho de 2008

epitáfio

no dia da tua morte
está um dia cinzento
nascido como um lamento
de chuva baptizando-me a má sorte

que bom dia para um epitáfio:

- aqui jaz um amor que tanto se deu
e de tanto se dar, morreu -

adeus


leal maria

verão


deixa o sorriso fluir
no calor do sol e a sua doçura
deixa-te submergir
no suave abandono à ternura



leal maria



apátrida

sou o tudo e o nada
indiferença travestida de amor profundo
a palavra adiada
apátrida filho de todo o mundo

mas vem
deitar-te no leito onde cantando te irei adormecer
suave abandono
no aconchego de reconfortante sono
depois de no meu corpo o teu estremecer



leal maria